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Ouvi e gostei. Quem indicou foi a amiga, arte educadora, Junia Pedroso, que realizou nesta semana uma aula aberta, dentro de um projeto cultural aqui de SP. O som contagia, na ginga e no batuque. BARBATUQUES !

O CORPO COMO INSTRUMENTO MUSICAL
Grupo Barbatuques, que tira som de palmas, pés e movimentos de língua e peitoral, conquista a cidade
LUCINÉIA NUNES
Eles são um contraponto à tecnologia. Os Barbatuques usam o corpo como único instrumento e resgatam o que há de mais puro em nossas raízes, os sons primais, o tribal e o folclore. Mais que isso. "É um movimento artístico espontâneo e consistente", afirma Stênio Mendes, um estudioso da música orgânica e colaborador do grupo. Fundado em 1996, por Fernando Barboza, o "Barba" - cujo apelido e o hábito de batucar no corpo batizaram o grupo -, o Barbatuques é hoje um sucesso que se alastra por São Paulo, em shows, eventos, festas escolares e até no teatro infantil. Palmas, batidas no peito, efeitos de voz, sapateado - tudo isso faz o show. E o resultado é uma festa percussiva de ritmos e melodias, quase uma brincadeira de criança, em que todos brincam, tocam e improvisam sobre o mesmo instrumento: o corpo.
Barba descobriu, ainda na adolescência, que seu corpo era um brinquedo sonoro. "Costumava andar na rua criando melodias e cadenciando os passos no ritmo. Aos poucos, surgiam novos batuques e variações que contagiavam os amigos", conta. Formado em música pela Unicamp, ele se dedicou às pesquisas sobre a percussão corporal. "Nosso trabalho não é como o do grupo Stomp ou de músicos como Tom Zé, Lenine, Naná Vasconcelos e Gilberto Gil, que usam o som corporal apenas como um adendo", afirma Barba, que faz um resgate lúdico das tradições brasileiras por meio da releitura de diferentes sons, como coco, jongo, samba, baião, afoxé e maracatu.
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Ouvir os Barbatuques em CD é perder grande parte do real espetáculo que é vê-los ao vivo; para quem não sabe, o grupo é um combo que faz música usando apenas ritmos e sons produzidos nos próprios corpos de seus integrantes. Vale tudo, menos instrumentos - palmas, assobios, dedos estalando, sapateados, a voz (cantando, em vocalises ou misturada a efeitos de estúdio). O mentor da galera, Fernando Barba, chama a incrível abordagem de "sintetizador humano".
Recriando sotaques, influências regionais e folclorismos o grupo soa também coeso e vibrante.
http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/artistas.asp?Status=DISCO&Nu_Disco=10336 (Ouça 30' de das faixas do CD Corpo do Som )
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"Quem já teve a oportunidade de assistir a um show do grupo ou encontrou com algum deles por aí, em oficinas ou apresentações teatrais, certamente foi contagiado pela energia que cerca os Barbatuques. No palco, além de toda sonoridade - que pode causar até um estranhamento de início -, há o contexto cênico, imagens projetadas e uma divertida intervenção com a platéia". http://www.barbatuques.com.br/materias/estado.htm
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CORPO DO SOM é um trabalho de percussão corporal. É também o registro de uma linguagem artística e pedagógica em pleno desenvolvimento. O CD conta com a presença de várias pessoas que vêm caminhando comigo na busca de ampliar as possibilidades de expressão musical pelo corpo. Estão presentes também as principais descobertas: ritmos, métodos de improvisação, técnicas de combinar sons e a diversidade de timbres que temos em nós.
Vou contar um pouco dessa história: minha primeira descoberta, ainda na adolescência, foi a de que o corpo era um brinquedo sonoro. Quando andava a pé gostava de me entregar a devaneios musicais, imaginando melodias e cadenciando os passos no ritmo. Sem perceber, as mãos pra acompanhar já iam buscando algum batuque, misturando sons de batidas no peito, palmas e estalos. Claro que a brincadeira já vinha desde batuques na cozinha, no chuveiro e nos delírios sonoros infantis, mas agora o brinquedo era novo.
Os primeiros encontros foram resultado do contágio que essa mania despertava nos outros, começavam a aparecer rodinhas de batuque no corpo. Naturalmente também nasciam ritmos e variações desse brinquedo. Em algum tempo eu já tinha repertório pra ensinar, e com o convite de amigos este corpo sonoro foi virando corpo docente.
Durante minha formação musical essa pesquisa seguiu paralelamente. No curso de Música Popular da Unicamp tive o prazer de ser aluno de José Eduardo Gramani, que abriu meus olhos pra novas maneiras de sentir o ritmo e desenvolver a coordenação de movimentos.
A grande virada se deu mais tarde quando já desenvolvia um curso de percussão corporal e conheci o trabalho de Stênio Mendes. Ao me inscrever em seu curso, logo na primeira aula fizemos no final uma sessão de improvisação vocal dirigida por ele. O exercício era de luz apagada e ao improvisar comecei a explorar um mundo interno de imagens e sensações que eram sugeridas pelos sons. Uma nova dimensão de diálogos, dinâmicas e sonoridades começava a se abrir, era o que ele chamava de música espontânea. A partir daí passei a conhecer novos sons e jogos e nossos trabalhos se somaram de forma definitiva.
Nessa época de tanto me bater, o brinquedo ganhou o apelido de Barbatuque por sugestão de Lu Horta. Aí nascia também o grupo Barbatuques, formado pelos amigos que acompanhavam essa pesquisa e que tinham também o desejo de apresentar esse trabalho em palco. Com o incentivo de Luiz Gayotto para participar de seus shows o grupo tomou gosto pela coisa e não parou mais.
Desde então o Barbatuques vem desenvolvendo um trabalho musical baseado na exploração dos inúmeros sons que podem ser produzidos pelo corpo humano. Palmas, estalos, batidas no peito, sapateados, efeitos de voz, vácuos, entre vários outros sons, são encadeados na produção de ritmos e melodias. O resultado é uma "orquestra de roda" onde todos tocam e improvisam sobre o mesmo instrumento: o corpo.
Neste CD estão presentes desde faixas bem fiéis ao que apresentamos ao vivo até utilizações do "sintetizador humano". Sons de baixo volume como o esfregar de mãos são amplificados, vozes e efeitos de uma mesma pessoa são somados e em alguns momentos até arriscamos um diálogo técnico e estético com a música eletrônica. Também estão presentes fragmentos de improvisações que sempre fizeram parte de nossa prática musical.
Desejo a você uma boa audição, sabendo que algumas sonoridades poderão ser estranhas ou novas. Espero também que dê vontade de tocar conosco, pois pra mim este trabalho sempre evocou o contágio e a brincadeira.
Fernando Barba
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Edição de shows do Barbatuques (Youtube)
http://www.youtube.com/watch?v=o-OPm5DCPu4
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Imagem1
http://revistatrip.uol.com.br//admin/smarty/templates/img_upload/barbatuques330.jpg
Imagem 2
http://www.barbatuques.com.br/materias/estado.htm