Arte Brasilis

ARTE BRASILIS é uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA e EDUCAÇÃO. Textos e referências para amigos, educadores, interessados em Cultura Brasileira e Educação para a Paz. artebrasilis@hotmail.com (MSN) artebrasilis@bol.com.br

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Arquivo de: Julho 2007, 17

17.07.07

RITOS DE PASSAGEM

categorias: SAIBA !

Tempo de Celebração


Todas as sociedades humanas celebram! Comemoram, através de cerimônias e rituais, eventos importantes na vida de pessoas ou grupos, êxitos, alegrias e mesmo tristezas.

Os rituais e cerimônias distinguem-se das demais atividades societárias por serem realizadas de maneira formal, seguindo padrões estabelecidos pela tradição. Distinguem-se também por sua natureza simbólica e por se realizarem em ocasiões específicas e períodos determinados.

O ritual é um tipo de linguagem, um modo de dizer coisas, na medida em que não só incorpora, mas expressa concepções e valores sociais, religiosos, políticos, econômicos importantes para a sociedade que o pratica.

Certas etapas do ciclo de vida do ser humano, como nascimento, casamento e morte, são solenizadas em todas as sociedades por meio de rituais. Chamam-se RITOS DE PASSAGEM as cerimônias que marcam a passagem de um indivíduo ou grupo de uma fase do ciclo para outra.

Com frequência os rituais de passagem pressupõem a aplicação de maus tratos, de dor e, naturalmente, temor e ansiedade aos envolvidos. Esta ação pode ter por finalidade fortalecer, pelo sofrimento comum, os laços de solidariedade entre um grupo de candidatos; ou demonstrar aos iniciandos e à sociedade a importância social do momento. Pode ainda eventualmente ser explicada em termos da hostilidade latente verificada entre dois grupos de indivíduos: o que pratica e o que sofre os maus tratos, cujos membros, por sua vez, apresentam-se em vias de ser incorporados à categoria do primeiro.

Varia a importância dada pelas diversas sociedades a cada um dos momentos de transição. Entre nós, a entrada de um recém-nascido em nossa sociedade é marcada pelo rito do batismo e pelas festas de aniversário subsequentes. A passagem do status de solteiro para o de casado é marcada pelo rito matrimonial. A passagem do mundo dos vivos para o dos mortos é assinalada por ritos fúnebres.

Em muitas sociedades, e também em grande número de sociedades indígenas no Brasil, a passagem dos jovens para a idade adulta, quando poderão gozar a plenitude de seus direitos a arcar com as responsabilidades decorrentes do novo status, é marcada por rituais chamados de iniciação.

As sociedades indígenas, entretanto, privilegiam a celebração da iniciação dos homens. Da iniciação feminina verificam-se poucos exemplos, dos quais salienta-se a realizada entre os índios Tukúna da região do Alto Solimões, Amazonas.

Os rituais de iniciação, como em geral os ritos de passagem, desenvolvem-se normalmente em três fases, as quais necessariamente não possuem a mesma importância e elaboração: os ritos de separação afastam o indivíduo do convívio diário com a comunidade; os ritos de margem (de transição) indicam que a pessoa abandonou um status na sociedade, mas ainda não ingressou no outro; e os ritos de incorporação constituem a confirmação formal, reconhecida por todo o grupo, do novo status do indivíduo.

Embora todas as sociedades indígenas tenham seus ritos de passagem, varia a importância dada a cada um deles.

A maior festa dos índios Tukúna se realiza por ocasião da iniciação da menina-moça. Os mais impressionantes cerimoniais dos Bororo de Mato Grosso desenvolvem-se em torno da morte e do funeral de um de seus membros. Os Karajá da Ilha do Bananal efetuam grandes rituais na passagem dos jovens para a idade madura e os Kaapór (Urubú), do Maranhão, por ocasião da nominação de crianças de tenra idade.

Os cerimoniais indígenas, porém, não se restringem a celebrar momentos transitórios culturalmente definidos na vida de indivíduos ou grupos, como nascimento, puberdade, casamento e morte. Realizam-se ainda diferentes cerimoniais, entre os quais, os referentes à investidura de chefes, ao tempo de colheita, à mudança das estações, à caça, à pesca, aos espíritos da floresta, a seres da natureza em geral, muitos deles com as características de ritos de passagem. Para essas ocasiões, particularmente em se tratando de grandes rituais, os preparativos mobilizam toda a aldeia; estes, englobam convites para parentes e aliados de aldeias vizinhas, a confecção de adornos corporais, instrumentos musicais e demais artefatos especiais, a preparação de tintas para pinturas corporais e de quantidades excepcionais de alimentos partilhados entre os participantes.

Os rituais indígenas dramatizam episódios míticos, revelando o constante inter-relacionamento entre os domínios cósmico e social e entre os mundos natural e sobrenatural. Representam mesmo momentos de encontro entre os construtores do cosmos: homens e ancestrais e outros seres mitológicos de diferentes naturezas; vivos e mortos. Fornecem ainda meios de ordenar e reordenar relações sociais e práticas cotidianas, assegurando simultaneamente a manutenção e a renovação da sociedade.

Os gestos, os movimentos e os artefatos, o canto, a música empregados nas situações rituais são sempre de natureza simbólica. É essencial, por conseguinte, conhecer o significado dos símbolos a fim de entender a mensagem transmitida pelos rituais.

Nesta exposição apresentamos suscintamente, para efeitos de exemplificação, dois cerimoniais de iniciação: um masculino, entre os Karajá; o outro, feminino, realizado pelos Tukúna.

Os rituais de iniciação, como vimos, integram a categoria dos RITOS DE PASSAGEM, que marcam momentos constitutivos na vida das pessoas. Tais ritos, ao ver dos antropólogos, parecem formar o conjunto cerimonial de maior relevância para as sociedades indígenas. Daí a preocupação de exemplificá-los neste espaço expositivo.

FONTE: www.bibvirt.futuro.usp.br

especiais/exposicao_virtual_do_mae/sociedades_indigenas/tempo_de_celebracao


 

CONSULTE TAMBÉM: http://www.facom.ufba.br/prod/incomum/tattoo1.html

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GENTILEZA GERA GENTILEZA

categorias: MEMÓRIA NACIONAL

Surge o Profeta Gentileza


No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, houve um grande incêndio no circo "Gran Circus Norte-Americano", o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. Na antevéspera do natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alegando ter ouvido "vozes astrais", segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras Agradecido e Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar "José Agradecido", ou simplesmente “Profeta Gentileza”.

Após deixar o local que foi denominado “Paraíso Gentileza”, o profeta Gentileza começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar".


Os murais
A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5km. Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização. Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a gentileza e a aplicarem gentileza em toda a Terra.

Citação: “ Gentileza gera gentileza ”.


Após sua morte
Em 29 de maio de 1996, aos 79 anos, faleceu na cidade de seus familiares, onde se encontra enterrado, no "Cemitério Saudades".

Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. O apagamento das inscrições foi criticado e posteriormente com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, com o objetivo restaurar os murais das pilastras. Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.

No final do ano 2000 foi publicado pela EdUFF (Editora da Universidade Federal Fluminense) o livro Brasil: Tempo de Gentileza, de autoria do professor Leonardo Guelman. A obra introduz o leitor no "universo" do profeta Gentileza através de sua trajetória, da estilização de seus objetos, de sua caligrafia singular e de todos os 56 painéis criados por ele, além de trazer fatos relacionados ao projeto Rio com Gentileza e descrever as etapas do processo de restauração dos escritos. O livro é ricamente ilustrado com inúmeras fotografias, principalmente do profeta e de seus penduricalhos e painéis. Além de fotos do próprio profeta Gentileza trabalhando junto a algumas pilastras, existem imagens dos escritos antes, durante e após o processo de restauração.

                    

FONTE TEXTO E IMAGENS: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Datrino

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