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NO PRÓXIMO POST FALAREMOS DE INTERTEXTUALIDADE. COMO PROPOSTA DE DIÁLOGO ENTRE IMAGENS E PALAVRAS, EM DIFERENTES CONTEXTOS. E CULTURAS.
. As imagens acima são sugestões, fazendo parte de uma Apresentação em Power Point - Canção do Exílio, Gonçalves Dias -
Direitos dos SLIDES reservados para: Arte Brasilis
INTERTEXTUALIDADE
Pode-se definir a intertextualidade como sendo um "diálogo" entre textos. Esse diálogo pressupõe um universo cultural muito amplo e complexo, pois implica na identificação e no reconhecimento de remissões a obras ou a trechos mais ou menos conhecidos. Dependendo da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem dos textos/ contextos em que ela é inserida.
Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao "conhecimento de mundo", que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos.
O diálogo pode ocorrer em diversas áreas do conhecimento, não se restringindo única e exclusivamente a textos literários.
Pode-se destacar oito tipos de intertextualidade:
Epígrafe - constitui uma escrita introdutória a outra. Citação - é uma transcrição do texto alheio, marcada por aspas. Paráfrase - é a reprodução do texto do outro com a palavra do autor. Ela não se confunde com o plágio, pois o autor deixa claro sua intenção e a fonte. Paródia - é uma forma de apropriação que, em lugar de endossar o modelo retomado, rompe com ele, sutil ou abertamente.Ela perverte o texto anterior, visando à ironia,ou à crítica. Pastiche - uma recorrência a um gênero. Tradução - a tradução está no campo da intertextualidade porque implica em recrição de um texto. Referência e alusão.
Obtido em http://pt.wikipedia.org/wiki/Intertextualidade
Nossa compreensão de um texto depende assim de nossas experiências de vida, de nossas vivências, de nosso conhecimento de mundo, de nossas leituras. Quanto mais amplo o cabedal de conhecimentos do leitor maior será sua competência para perceber que o texto dialoga com outros, por meio de referências, alusões ou citações, e mais ampla será sua compreensão. As referências são muitas vezes facilmente perceptíveis, identificadas pelo leitor. Há, por outro lado, referências, alusões muito sutis, compartilhadas ou identificadas apenas por alguns leitores, que têm um universo cultural, um conhecimento de mundo muito amplo. http://www.pucrs.br/gpt/intertextualidade.php
Exemplo: A Canção de Exílio, de Gonçalves Dias, a epígrafe e o poema mantêm um diálogo, pois os dois têm características românticas, pertencem ao gênero lírico e possuem caráter nacionalista.
o___________________Canção do Exílio___________________o
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossas vidas mais amores.
Em cismar, sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
-
Mário Quintana
Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.
-
Oswald de Andrade
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
-
Murilo Mendes
Minha terra tem macieiras da Califórnia
Onde cantam gaturamos de Veneza
(...)
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
E ouvir um sabiá com certidão de idade!
-
Casimiro de Abreu
Eu nasci além dos mares:
Os meus lares,
Meus amores ficam lá!
- Onde canta nos retiros
Seus suspiros,
Suspiros o sabiá!
-
Tom Jobim e Chico Buarque
Vou voltar, sei que ainda
Vou voltar para o meu lugar
Foi lá e ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá, cantar uma sabiá.
-
Carlos Drummond de Andrade:
Um sabiá
Na palmeira, longe.
Estas aves cantam
Um outro canto
(...)
Só, na noite,
Seria feliz:
Um sabiá
Na palmeira, longe.
-
Joaquim Osório Duque Estrada
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida, no teu seio, mais amores.
-
(...) Um mesmo escritor pode reler-se, utilizando-se de textos que ele mesmo escreveu, o que resulta numa espécie de intratextualidade. Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, retoma seu conhecido texto No meio do caminho, para escrever:
Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporaram
Ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus Maiakóvski. (ANDRADE, 1978, p. 75)
http://www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/I/intertextualidade.htm
VAMOS BRINCAR DE INTERTEXTO ? (vermelho: partes do texto original - azul: intertexto) original em: http://www.revista.agulha.nom.br/drumm09.html
No meio do caminho tinha uma pedra
E como pedra, seria mesmo impossível ?
...uma pedra, no meio do caminho
imóvel, passiva, a dizer-se...pedra
Mas se..
no meio do caminho tinha uma pedra.
Que fazer para não vê-la ?
Melhor sabê-la.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Do nascer das pedras
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Ao sabê-las pedras, amontanhadas.
Fazê-las caminho.
Portanto,
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
De tantos e todos os caminhos. Haverão sempre pedras.
Que seriam das pedras, sem caminhos ?
E dos caminhos, sem pedras ?
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Arte Brasilis

http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=660
Nos bastidores do teatro grego - texto de: Cristiano Catarin
Apesar da pretensão, de minha parte, em discorrer um pouco sobre o teatro grego, evidencio aqui a necessidade de tentar demonstrar a origem e principal característica deste teatro grego que concorreu com outro modelo de teatro, então já existente na Grécia. Este humilde relato está baseado principalmente nas referências de Junito de Souza Brandão, um estudioso do assunto.
ORIGENS
Egito Antigo, Índia, China, Creta e a própria Grécia possuíam um teatro, antes mesmo do então chamado teatro grego. Tinha como característica principal sua estruturação toda baseada na religião, podemos, portanto, apontar o teatro apenas litúrgico. Este mesmo aspecto é o que de fato diferencia os egípcios, hindu, chinês, cretense e o teatro apenas litúrgico grego do teatro grego.
A INFLUÊNCIA DA RELOGIOSIDADE
O Egito retratava momentos ilustres para sua razão divina, sobretudo, quanto à certeza da vida após a morte - havia muito empenho e muitos detalhes requintados para a viagem ao outro mundo. Tudo muito bem servido de divindades. Os hindus, possuidores de magia também de seus deuses, revelava preocupação com a continuidade da vida. O caminho do homem sem pecado, sem desobedecer as orientações corretas dos deuses, mesmo que uma punição pudesse significar o fim da vida de um ou de muitos de sua espécie.
O teatro apenas litúrgico caracterizava, sobretudo, a vida cotidiana destes povos, sempre com o consentimento dos deuses. Eram representações carregadas de religiosidade, podendo, por vezes, parecer apenas mais um culto tradicional.
É neste mesmo caminho que a Grécia apresentou então seu teatro, como que copiando o modelo deixado pelos egípcios, cretenses, etc. O que pretendo fazer é apontar, mesmo que superficialmente, o desenvolvimento do teatro na Grécia que trouxe consigo importantes modificações, ou melhor outra categoria do famoso teatro grego.
O TEATRO APENAS LITÚRGICO DA GRÉCIA E O TEATRO GREGO
Com a mitologia grega o teatro não poderia se revelar de maneira muito diferente, explicando um pouco melhor, seu desenvolvimento inicial também contava com participações dos deuses, as comédias eram direcionados a um determinado deus, as tragédias a outro, os dramas a outro, e assim por diante.
No entanto, depois de seu início, e de sua origem, baseada em dimensões das quais já mencionamos, o teatro grego passou a voltar seu foco para outro aspecto. Mais precisamente para o homem e seus problemas cotidianos, deixando de lado a questão religiosa. Este afastamento representa, portanto, uma diferenciação deste teatro dos anteriores e, sobretudo, representa também o desenvolvimento dentro da própria Grécia, ou seja, o teatro grego como que substitui o teatro apenas litúrgico grego.
Para Brandão o teatro grego é a evolução dos teatros que haviam se desenvolvido até então, uma evolução que é apresentada justamente por retratar outras formas do homem, dando importância ao belo, a criatividade humana, o sentimentalismo, a representação da representação das mais diversas ações. O autor diz ainda que os primeiros teatros ficaram de certa forma, estagnados, justamente por não se desprenderem do aspecto religioso.
Outro ponto importante, dá-se ao fato de que este homem agora retratado pelo teatro grego não refere-se ao homem grego e sim do homem universal. O teatro grego busca inspirações além da Grécia, o homem interage com o mundo, portanto, era interessante para o teatro, segundo Brandão, representar este homem que percorre diferentes regiões, que toma diferentes atitudes para os mesmos problemas.
O ESPAÇO UTILIZADO PARA AS APRESENTAÇÕES
O próprio significado da palavra teatro tem referência a sua forma física original, podemos traduzir como: contemplo, vejo, visão por onde se vê um espetáculo.
O teatro grego era um verdadeiro edifício, e seu teto era o céu azul. As apresentações ocorriam durante o dia, dependendo sobretudo, do clima para serem confirmadas e realizadas.
Conforme vemos na figura abaixo, todos os detalhes eram estudados para que o público não perdesse qualquer parte dos espetáculos.

AS MÁSCARAS
Haviam máscaras tanto para diferentes representações, é interessante lembrar também que um personagem poderia utilizar mais de uma máscara em uma única apresentação. Para tragédias um modelo de máscara, para drama outro tipo de máscara, para comédia outro tipo de máscara, e assim por diante. A vestimenta também apresentava variações, entretanto, uma túnica branca comprida, ou uma roupa um pouco mais colorida não ofuscava o principal destaque que eram as máscaras. Dentre as particularidades, podemos citar o tipo de máscara que os homens utilizavam para representar personagens femininos(...)
O TEATRO GREGO PREVALECE AO TEMPO
Será que conseguimos enxergar um pouco do tamanho da importância do teatro para Grécia, mas sobretudo, para o mundo todo? O que podemos dizer do teatro contemporâneo?
O teatro grego se propõe a retratar dimensões do cotidiano do homem que encontram-se além do representar por representar, mas sobretudo, propõe a educar, ensinar, evidenciar que existem costumes, personalidades, belezas, enfim, adjetivos extremamente diversificados do homem que atua no maior palco já visto, o mundo. A poesia também contribuiu muito para o desenvolvimento do teatro grego, a beleza a sutileza das palavras, clamando as alegrias, os dramas, as tragédias.
Não é atoa que o teatro contemporâneo vez por outra, recorre ao mundo de representações do teatro grego para "fabricar" as comédias (Aristóteles) e tragédias (Dionísio ou Baco). As ciência das artes também se "aproveitaram" do teatro grego, sem descartar qualquer fase, seja o momento helênico, seja o mais racional, todas particularidades empolgam, dramatizam, alegra, ensina e educa, ainda bem! Copias não é o bastante, é preciso saber copiar. Segundo o autor, mesmo nos dias atuais, os gregos ainda recorrem a edificações antigas para assistirem as peças clássicas.
O TEATRO E A HISTÓRIA
A História é o homem em ação, resumidamente esta é uma definição de História para Marc Bloch.o teatro representando os diferentes momentos norteados pelas ações do homem, de certa forma, está lidando com a História. A História representando o homem que por conseguinte, é representado nos palcos de teatros por todas as nações. Será que poderíamos afirmar que o teatro pode ser um objeto da História? Creio que nem tanto. O homem sim, é o principal objeto, personagem da História, uma História, sobretudo, científica.
Diante de várias personagens podemos retratar a História atrelada ao teatro, visto que as representações ocorrem em épocas e lugares diferentes, defere sim, quanto a descontinuidade, pois a História sempre está se renovando, investigando..., o teatro embeleza, enfeita com muita qualidade os deferentes momentos da História do homem, de suas atitudes, suas pretensões, suas alegrias, suas tristezas, suas esperanças.
O teatro, a literatura e a História, "andando" lado a lado para tentar ilustrar os pensamentos, os sentimentos e as ações do homem universal.
Parabéns ao teatro grego que conseguiu atrelar a arte de representar, junto a beleza da poesia e da intensidade da História.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BRANDÃO, Junito de Souza. Teatro Grego - origem e evolução, Ed. TAB, 1980, RJ.
LANNES, Osmar Parazzo. Teatro Grego, Ed. Paumap, 1993, SP.
Escrito por:
CRISTIANO CATARIN