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Picos de audiência
O grande trunfo das redes é a própria restrição do mercado, numa competição em que a queda de qualidade é o paradigma e o faturamento publicitário é o mandamento supremo
21/8/2007 - REVISTA SENTIDOS
Por J. Olímpio*
<< Ligue a TV e me diga se você consegue terminar de ver algum programa sem ficar preocupado, deprimido, decepcionado. Mas, não lhe disseram que essa caixa luminosa e barulhenta serviria para diversão, entretenimento, cultura e lazer? Pois é, lamento que você não esteja conseguindo obter isso dela facilmente...
Só que lamentar não é o bastante. A grande falha do telespectador é, sem dúvida, a passividade. Talvez, isso até seja um efeito hipnótico televisivo mas, na prática, reverte em benefício de quem produz e veicula a programação de baixíssima qualidade que temos engolido.
Sem comentar detalhes sórdidos ou apontar culpados, não é muito difícil concluir o que realmente importa para a indústria televisiva: o faturamento comercial. Se, para isso, for preciso queimar crianças vivas num palco, tudo bem...! Exagerado, eu?... Negativo, os shows domingueiros estão bem perto disso, ao mostrarem morte, degradação explícita, prostituição nem sempre velada.
Uma questão que tem rendido polêmica, nos meios ainda pensantes do País, tem sido a tal classificação etária para a programação televisiva. Autoridades, educadores, religiosos, artistas, sindicatos, empresários e puritanos em geral têm trocado argumentos, tentando ver aprovados os seus próprios parâmetros de decência e limitação. Nenhum deles, porém, tem cutucado o ponto nevrálgico dessa guerra: a audiência.
Sempre se ouviu dizer, pelos chamados entendidos da área, que as televisões colocam no ar "aquilo que o povo quer ver". Isso sempre me dá urticária, porque - até onde eu sei - também sou povo e nunca me perguntaram o que eu gostaria de assistir. Aí, entra em campo a célebre resposta das TVs: os números da audiência não mentem...!
Mesmo acreditando que as pesquisas mentem, sim (e bastante!), sou tentado a pensar que os enganados não somos nós; e sim os próprios fazedores da atual televisão brasileira. Isso porque eles se tornaram muito deficientes em criatividade, critério, responsabilidade e visão de futuro. Só enxergam números e cifrões, estão cegos e surdos para o tremendo potencial do veículo que dispõem. E, ainda, mudos porque não têm mais como verbalizar desculpas esfarrapadas para seus "campeões de audiência".
Em 1951, quando Assis Chateaubriand conseguiu instalar o primeiro canal (depois Rede Tupi) de televisão no País, o rádio já havia atingido o auge do seu alcance e se consolidado como um veículo integrador dos quadrantes nacionais. A programação radiofônica era rica, característica do Brasil como um todo, mas sem anular as iniciativas regionais. Em 1966, a então iniciante Rede Globo começou a desenvolver - paralelamente com o avanço tecnológico - o desmanche gradual da diversidade na programação, centralizando a produção e culminando com a massificação que temos atualmente. Até o rádio, hoje às vésperas de ser digitalizado com a TV, sofreu alterações enormes no conceito operativo.
Hoje, certas conquistas da sociedade organizada, transformadas em leis de preservação da regionalidade, tentam resgatar a produção do rádio e da TV locais. Mas a parte comercial ainda fala mais alto, originando programações distanciadas da premissa inicial da lei. O certo é que já se nota uma necessidade forte dos sotaques, da história e dos talentos regionais. Essa diversidade, banida do rádio e da TV já faz tempo, se faz importante para a instauração do sentimento de pertença aos diversos rincões do País.
Apesar do mercado - e de seu canibalismo - essa tendência nos leva a repensar a lógica perversa das avaliações de audiência televisiva. Baseadas em amostragens estatísticas, essas pesquisas também falham na sua meta de avalizar o gosto do público. E o motivo é muito simples: faltam mais e melhores opções para o telespectador. Estrangulado entre shows de barbaridades e novelas requentadas, o pobre público televisivo acaba se curvando a escolhas frustrantes.
Portanto, a ausência de mais variedade e criatividade das emissoras é o que caracteriza a involução galopante da nossa TV comercial aberta. Os canais pagos, no início um ambiente mais livre da sanha publicitária, hoje retalham a programação quase na mesma medida. A televisão pública, se dispusesse da metade de tantos recursos, poderia fazer muito mais e melhor.
Não se trata, aqui, de apenas criticar os rumos da TV; que os toma, também, pela imitação e pela compra de produtos estrangeiros. Os antigos "enlatados" (séries que forravam a nossa TV, entre os anos 60 e 80), longe de criarem uma tradição produtiva local, passaram a ser longínquas amostras de uma indústria que só vingou nos Estados Unidos e na Europa. Maravilhosas tentativas brasileiras - como, por exemplo, O Vigilante Rodoviário e Águias de Fogo (1962) - apesar de terem legiões de fãs até hoje, não prosperaram mais do que poucas dezenas de episódios.
Daí, vê-se que a máxima dos atuais executivos televisivos, jogando sobre o público a culpa da mediocridade em exibição na telinha, não corresponde a uma realidade plausível. O grande trunfo das redes é a própria restrição do mercado, numa competição em que a queda de qualidade é o paradigma e o faturamento publicitário é o mandamento supremo. Mal sabem eles (será?...) que existem inúmeros projetos brilhantes e lucrativos aguardando para alavancar essa pasmaceira. Talvez, a aridez produtiva da nossa TV seja uma espécie de contenção proposital do potencial criativo brasileiro, parte de um esquema de achatamento da produção distanciada dos dominadores do mercado.
Seja como for, há que se buzinar as consciências constantemente - principalmente as dos jovens - agitando neles um arejamento nos conceitos de comunicação massiva. Os atuais caciques da TV e do rádio, viciados que estão nas fórmulas em cartaz, merecem uma lição urgente de como trabalhar o imaginário do povo.
Ao invés de viver de picos de audiência, a TV do Brasil precisa reaprender a massagear a musculatura criativa da sociedade, criando espectadores críticos, bem informados, cidadanizados pela comunicação. Enfim, bem diferentes dos auditórios decadentes que proliferam atualmente.
EM TEMPO: a pífia cobertura dos Jogos Parapan-Americanos, feita pelas redes de TV aberta, é o típico sintoma de que só aparecem na telinha as figuras que, primeiro, ultrapassam a nossa fronteira e se destacam mundialmente. Os "recordes" pessoais de superação, de coragem e de desprendimento seguem solenemente ignorados pela mídia cega, surda e muda para com os verdadeiros heróis do povo. >>
* J. Olímpio
Paranaense, 47 anos, é roteirista, produtor multimídia e colunista do site e da revista Sentidos. É cadeirante, com seqüela severa de poliomielite.
jolimpio@mais.sul.com.br
texto reproduzido de: www.sentidos.com.br
IMAGEM www.campusred.net/telos/admin/imagenrevista/Niimura4_ilustra.jpg
Conheça a Expedição Vagalume
A Associação Vaga Lume trabalha na implantação de bibliotecas comunitárias, promovendo rodas de leitura com contadores de histórias da região.
>>> Veja como você pode contribuir: <<<
Doação financeira
Patrocínio e palestra
Doação de livros
Aquisição de produtos
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A Associação Vaga Lume é uma entidade civil sem fins lucrativos, fundada em 16 de Outubro de 2001 e qualificada como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), nos termos da Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999, conforme despacho da Secretária Nacional de Justiça, em 25 de maio de 2004, publicado no Diário Oficial de 01 de junho de 2004.
A Associação Vaga Lume tem sede na Rua Fidalga, 716 - Vila Madalena - CEP 05432-000 - São Paulo - SP.
MISSÃO
Promover o desenvolvimento cultural e educacional de comunidades rurais da Amazônia Legal Brasileira e contribuir com a troca de conhecimento entre a população da Amazônia e demais regiões do país.
VISÃO
Tornar-se referência nacional na aplicação da metodologia de implantação de bibliotecas comunitárias como estratêgia de desenvolvimento humano e comunitário.
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PRESIDENTE (Biênio 2006-2008)
Sylvia Albernaz M. C. Guimarães
CONSELHO FISCAL
Cláudia de Freitas Vidigal
Nadime Meinberg Gerage
Eleonora Rangel Nacif

A Rede dos Vaga-lumes é um programa desenvolvido pela Associação Vaga Lume que visa promover o intercâmbio cultural entre comunidades escolares urbanas e comunidades rurais da Amazônia Legal Brasileira. A Associação Vaga Lume se propõe a fazer a mediação entre esses dois públicos. Através da troca de conhecimentos vivenciada, crianças e adultos inseridos em diferentes realidades descobrem mais sobre si e sobre a complexa realidade brasileira.
Objetivo Geral:
Promover o intercâmbio cultural entre comunidades rurais da Amazônia Legal Brasileira e comunidades escolares urbanas da Grande São Paulo, contribuindo para o conhecimento mútuo e a percepção da complexidade da realidade brasileira.
Objetivos específicos:
- Fortalecer Bibliotecas Comunitárias implantadas na Amazônia visando sua auto-sustentabilidade;
- Fortalecer bibliotecas de escolas de São Paulo, como centros irradiadores de cultura em comunidades escolares urbanas;
- Aproximar adultos e crianças de diversas partes do Brasil, possibilitando o intercambio de culturas e tradições;
- Favorecer o fortalecimento das identidades e a valorização das pessoas envolvidas;
- Enriquecer o currículo escolar das escolas participantes;
- Promover o estudo da realidade amazônica em escolas de São Paulo e da realidade urbana em comunidades rurais da Amazônia Legal Brasileira;
- Desenvolver lideranças comunitárias;
- Promover o protagonismo juvenil;
- Incentivar a Leitura e a Escrita;
Princípios da Rede dos Vaga-lumes:
1 - O contato com o outro e a compreensão das semelhanças e diferenças entre realidades distintas, é uma importante ferramenta para o auto-conhecimento e o fortalecimento das identidades.
2 - Para conviver com a diversidade e respeitar as diferenças é importante que as pessoas sejam educadas para a relação intercultural, através do estudo vivencial e humanizado.
3 - Toda diversidade humana (cultural, religiosa, étnica, lingüística, etc.) e ambiental (urbana, rural) são patrimônios coletivos da humanidade e como tal devem ser valorizadas.
4 - É importante inserir no currículo escolar de todas as instituições de ensino do país pesquisas e estudos em profundidade que se destinem a desmistificar a realidade brasileira e promover a compreensão da totalidade do país e do mundo
5 - Deve ser respeitado o direito de comunidades tradicionais sobre seu patrimônio, seja ele material ou imaterial.
6 - Toda tradição, oral ou escrita, deve ser respeitada como expressão cultural de indivíduos ou grupos, e conviver em diálogo, sem a colonização de umas pelas outras.
7 - Bibliotecas são centros depositários e produtores de cultura e conhecimento humano, e devem ser criadas, apoiadas e fortalecidas pela sociedade.
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Em http://www.expedicaovagalume.org.br/site/filmes/rede.wmv assista o filme REDE DOS VAGA-LUMES, de 7 minutos. O filme retrata o funcionamento da Rede dos Vaga-lumes, com imagens gravadas na comunidade rural de Santa Rosa, Cruzeiro do Sul, Acre, e em duas escolas de São Paulo. A partir da doação de livros feitas pelas crianças de São Paulo para a biblioteca de Santa Rosa, tem início uma promissora amizade. Os depoimentos trazem as impressões, as surpresas e as reflexões de crianças que, apesar de viverem em realidades tão distintas, têm em comum o desejo de fazer novos amigos, viver aventuras e descobrir o mundo.
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VEJA TB UM VÍDEO DA EXPEDIÇÃO VAGALUME
CIÊNCIA e ARTE: será que essa mistura dá certo?
Teatro, música, literatura e computação gráfica ajudam a entender e ensinar biologia
O professor entra em sala de aula e a turma está com cara de quem ainda não saiu da cama. Ele fala alto, gesticula, se empenha. Mas nada faz com que a classe acompanhe com gosto o seu raciocínio. O que fazer? Ora, tem que ser artista! Nunca ouviu essa expressão? Pois saiba que ela faz muito sentido para algumas pessoas, como alguns cientistas, por exemplo!
Leopoldo de Meis, do Instituto de Bioquímica Médica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é um deles. Criador do projeto Ensinando ciência com arte , esse pesquisador, junto com sua equipe, mostra que sensibilizar as pessoas utilizando a arte é uma boa ferramenta para ensinar ciência. “A sala de aula se tornou um lugar muito chato. O que aconteceu é que se avançou muito em matéria de conhecimento e tecnologia, mas a forma de ensinar mudou pouco. A idéia com esse projeto é dar vida, é dar sentido às coisas, é humanizar a ciência”, afirma.
Para isso, ele utiliza várias formas de arte: teatro, música, literatura e computação gráfica, que, juntos, renderam produtos que ajudam na divulgação e na compreensão da ciência. Com isso, desde 1995, quando o projeto foi iniciado, dois livros, uma peça teatral e dois DVDs destinados a estudantes de todas as idades já foram feitos.
Em O método científico e em A respiração e a 1ª lei da termodinâmica , títulos de seus dois livros, ele aborda os temas científicos com linguagem simples e muita arte. As obras são ricamente ilustradas e vêm em forma de história em quadrinhos, que facilita ainda mais a leitura. Tanto que O método científico acabou sendo fonte de inspiração para uma peça teatral intitulada O método científico – como o saber mudou a vida do homem , que já foi apresentada em diversas regiões do Brasil, em escolas e universidades.
http://cienciahoje.uol.com.br/files/chc%20on-line/58306a.wmv
Trecho de DVD do projeto Ensinando ciência com arte , que recorre à computação gráfica para explicar conceitos da biologia. Clique NO LINK ACIMA para assistir a um trecho do vídeo - formato wmv, 2,8 MB (parte de uma seqüência que ilustra a contração muscular e mostra um detalhe de uma estrutura presente no músculo esquelético).
Já nos DVDs Ensinando ciência com arte , volumes 1 e 2, as animações feitas por computação gráfica são o que dão vida à ciência e aos seus mistérios, mostrando como se dá a contração muscular e o desenvolvimento das mitocôndrias – pequenas estruturas presentes nas células de nosso corpo. Além disso, as animações são embaladas por músicas e uma narrativa que explica como tudo acontece em nosso organismo.
A boa notícia é que todo esse material pode ser adquirido pelas escolas. As instituições públicas recebem um kit com os dois livros e os DVDs gratuitamente, já os colégios particulares pagam preço de custo. “Muitas escolas utilizam esse material, que já está em sua quarta edição”, diz Leopoldo de Meis. O kit com os dois livros e os dois DVDs do projeto Ensinando ciência com arte pode ser solicitado pelo correio eletrônico demeis@bioqmed.ufrj.br .
Portanto, pode espalhar essa informação na sua escola: ciência com arte é uma mistura que dá certo e pode tornar as aulas ainda mais agradáveis. Então, que tal falar com seu professor e levar essa idéia para a sua classe?
Cathia Abreu
Ciência Hoje das Crianças
14/09/2006
http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/58306
Livro O método científico
Leopoldo de Méis e Diucênio Rangel. Editora Contato
Em linguagem simples e formato de história em quadrinhos, o livro O Método Científico faz uma verdadeira expedição pela descoberta da ciência, mostrando todas as grandes fases do homem. Da descoberta do fogo até os dias atuais. Vale a pena pegar carona nessa viagem.
LEIA ENTREVISTA COM LEOPOLDO DE MEIS EM:
http://www.aprendebrasil.com.br/entrevistas/entrevista0087.asp
Música improvisada criada artificialmente
Programa de computador 'imita' comportamento de bandos de pássaros e formigas
Pode um programa de computador criar música improvisada de forma tão inventiva quanto John Coltrane, Charles Mingus e outros consagrados solistas do jazz? Se depender dos cientistas da University College London (Inglaterra) que desenvolveram o Swarm Music, a resposta é sim. Esse programa gera melodias improvisadas a partir de analogias estabelecidas com fenômenos que, à primeira vista, não apresentam caráter musical, como o comportamento de bandos de aves e insetos. Esse trabalho ainda não publicado é a primeira aplicação da 'inteligência de grupo' no campo da música. 
"O Swarm Music ajuda a confirmar minha hipótese de que as interações entre músicos durante a criação de melodias improvisadas são governadas por regras simples, porém importantes", diz à CH on-line Tim Blackwell, principal criador do programa.
As analogias em que o Swarm Music se baseia podem ser entendidas pela análise de sistemas bastante familiares. Por exemplo, todas as aves de um bando voam na mesma direção. Contudo, se um membro do bando muda a trajetória de seu vôo, todas as demais aves o acompanham. Também é comum observarmos rastros formados por milhares de formigas que caminham de volta para o formigueiro. Porém, se uma formiga muda seu percurso, as companheiras atrás dela a seguem.
Bandos de aves e formigas, que parecem executar uma coreografia, não obedecem a um controle central. Na verdade, são as interações locais, entre cada membro do bando, que garantem o comportamento 'orquestrado' dos animais. Segundo os cientistas, essa ausência de controle central também está presente na música feita de improviso. Assim como um membro do bando de aves ou formigas é capaz de levar o grupo a seguir nova trajetória, também um músico que introduz mudanças inesperadas em uma melodia gera um novo padrão musical para a orquestra.
Desse modo, o comportamento de aves e insetos poderia ser encarado como um evento musical. No Swarm Music, os membros de um grupo são representados por partículas que interagem umas com as outras e respondem a estímulos sonoros externos, captados por uma ferramenta do programa. Tais partículas se encontram em um 'espaço musical', onde cada posição corresponde a um conjunto de três coordenadas: tom, altura e pulso (variável associada à duração de eventos musicais e aos intervalos entre eles). Logo, o conjunto de coordenadas que representa a posição de uma partícula em um determinado instante é interpretado pelo Swarm Music como um evento musical.
As posições das partículas são constantemente atualizadas de acordo com mudanças provocadas pelas interações entre elas e pelos estímulos sonoros externos. O Swarm Music mapeia a localização de cada partícula e o conjunto de posições ocupadas por todas as partículas ao longo do tempo dá origem a uma mistura de eventos musicais que forma uma melodia. "O Swarm Music mostra que melodias improvisadas artificialmente, isto é, com o auxílio de uma máquina, podem ser muito agradáveis", comemora Blackwell.
Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
03/06/02
http://ich.unito.com.br/controlPanel/materia/view/1694
Arte fundamenta nova linguagem para ensinar ciência
Vídeo busca despertar emoções para facilitar compreensão da atividade da mitocôndria
Membrana, citoplasma e cromossomos: assim os cientistas descreveriam uma célula. Já os artistas tendem a enxergá-la como um conjunto de cores, formas e texturas. Essas duas percepções, que à primeira vista parecem incompatíveis, podem ser misturadas e trazer benefícios para quem quer aprender ciência.

1. No vídeo A mitocôndria em 3 atos, artistas e cientistas buscam conciliar diferentes perspectivas para melhor explicar o funcionamento da organela
2. Cenas da primeira (esq.) e segunda parte (dir.) de A mitocôndria em 3 atos.
Essa combinação inovadora, proposta por profissionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), levou à criação de um CD-ROM sobre a mitocôndria -- organela celular responsável pela produção de energia. Trata-se de um vídeo que busca facilitar a compreensão das atividades da organela ao explorar as relações entre ciência e arte. A idéia é criar uma nova linguagem para ensinar ciência e derrubar um antigo preconceito segundo o qual cientistas seriam frios e indiferentes -- o oposto do estereótipo do artista.
O CD-ROM foi desenvolvido no Departamento de Bioquímica Médica, por uma equipe que inclui o professor Leopoldo de Meis, Diucênio Rangel, formado pela escola de Belas Artes e que no doutorado trabalha com difusão da ciência, e Marcelo Neves, Mario Ribeiro e Alexandre Machado, que criam por computação gráfica as imagens do vídeo.
Intitulado A mitocôndria em 3 atos, o vídeo aborda as atividades da organela a partir de óticas diferentes. Primeiramente, ela é apresentada sob a perspectiva do cinema, em que imagens em movimento ilustram uma narrativa sobre a origem e evolução da mitocôndria. Em seguida, a organela é descrita por equações químicas e esquemas que parecem retirados de um livro didático convencional: o espectador se sente em uma tradicional sala de aula. No terceiro ato, o vídeo adota uma linguagem artística, que trabalha sons, cores, formas e movimentos para despertar as emoções do espectador.
Há muitos anos, o professor De Meis se dedica a pesquisar como os estudantes enxergam a ciência. Seus trabalhos mostram que muitos a consideram uma atividade estritamente racional. "No entanto, sentimentos e criatividade são fundamentais para o trabalho do cientista", afirma De Meis. Por isso, ele acredita que explorar as relações entre ciência e arte pode facilitar o entendimento de conceitos científicos. "Se emoções são despertadas durante a comunicação de um dado conteúdo, ele é melhor compreendido e fixado."
Desde 1995, a equipe trabalha em uma sala do laboratório do professor De Meis. "Esse contato tão próximo de nossas atividades com as de cientistas nos ajuda a perceber e transmitir melhor os pontos de contato entre arte e ciência", afirma Rangel. "Curiosamente, já passamos por muitas situações em que os cientistas pareciam impulsivos, e os artistas, metódicos."
Estudantes de medicina da UFRJ disseram ter compreendido melhor as funções da mitocôndria após terem assistido ao vídeo. "Além do CD-ROM, já produzimos uma peça de teatro e dois livros de histórias em quadrinhos que tratam de temas científicos", conta De Meis. "Todos esses projetos são bem recebidos nas escolas", comemora. "Porém, nada disso teria sido possível sem o apoio que recebemos do CNPq e, principalmente, da fundação Vitae."
Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
29/05/02
IMAGEM E TEXTO: http://ich.unito.com.br/controlPanel/materia/view/1695