Arte Brasilis

ARTE BRASILIS é uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA e EDUCAÇÃO. Textos e referências para amigos, educadores, interessados em Cultura Brasileira e Educação para a Paz. artebrasilis@hotmail.com (MSN) artebrasilis@bol.com.br

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Arquivo de: Agosto 2007, 24

24.08.07

O ARTISTA CATADOR

Arte e Ecologia - MATÉRIA EXIBIDA NO PROGRAMA REPÓRTER ECO DA TV CULTURA em 27/5/2007
http://www.tvcultura.com.br/reportereco/materia.asp?materiaid=603


 Um artista plástico encontra nas cacambas de lixo matéria-prima para fazer pinturas e instalações


Henrique Oliveira não se importa de ser chamado de "catador". Afinal, é das caçambas com sobras de madeiras usadas na construção civil que ele retira a matéria-prima de sua arte. 

"O interesse da reciclagem, nesse meu caso, é que exatamente por ser um material já usado, ele traz uma memória do que foi o seu uso anterior. Ele traz uma série de informações que tornam o trabalho mais especial em relação ao material tal como ele é industrializado, onde ele é todo homogêneo. Recolhendo o material da rua, você começa a perceber uma série de riquezas, de deiferentes nunces, de tonalidades de cores, que é onde o trabalho se aproxima da relação com a pintura."
E foi justamente a partir dessa relação com a pintura que, no final de 2003, Henrique passou a se interessar pelas particularidades da madeira reciclável. Henrique transformou tapumes, usados para esconder, em algo para ser visto e mostrado.


"O resultado de todo esse trabalho do Henrique com material reciclável é uma obra que, hoje, transita entre a pintura, a escultura e a instalação." (...)

A obra ganhou o título de "Turbilhão Para Turner" *, porque inspira-se na tela "Tempestade de Neve", uma das mais conhecidas do pintor britânico Willian Turner. Em plena revolução industrial, o artista romântico retratava a fragilidade humana diante do poder da natureza. Imagens que Henrique também recicla para compor uma nova arte.


Autor:
Pauta: Marici Arruda. Reportagem: Cláudia Piche. Imagens: Alexandre Fortes. Auxiliar de Câmera: Cristiano Cícero da Silva. Operador de Áudio: Cláudio Nascimento. Edição de Imagens: Eduardo Félix. Edição de Texto:Camila Doretto. Editora-Chefe: Vera Diegoli.

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TURBILHÃO PARA TURNER

Pintor há dez anos, Henrique Oliveira iniciou em 2003 a série "Tapumes", que tem como suporte lâminas de madeira usadas recolhidas das ruas de São Paulo. Tudo começou, quando ele passou a pintar sobre compensados de segunda mão. As irregularidades do material revestiram o trabalho de um resultado surpreendente. Numa segunda etapa, Henrique começou a usar de duas a três chapas sobrepostas para conferir à obra o efeito de colagem.

Parte desta série, "Turbilhão para Turner" pretende transpor para uma obra tridimensional as imagens dinâmicas de "Snow Storm", uma das telas mais conhecidas de William Turner (1775-1851), cuja trajetória é pontuada pela busca obstinada de captar os movimentos, as cores e as luzes das paisagens. Atraído por situações climáticas extremas, o mestre inglês do romantismo traduziu à perfeição o sentimento de instabilidade que o homem experimenta diante dos fenômenos naturais.
Para concretizar sua proposta, Henrique colocou na parede da galeria chapas de compensado flexível, recortadas e emendadas para propiciar a modelagem da superfície e a formação de protuberâncias e pontas, que dão a sensação de movimento. A seguir, o artista sobrepôs lascas e partes do material recolhido, sobre os quais aplica tinta.

As cores residuais da madeira deteriorada fornecem uma forte possibilidade associativa aos tons rebaixados de "Snow Storm", variações de tons desbotados, esmaecidos pelos cinzentos da fuligem das cidades e os ocres das matérias, que na obra de Turner já anunciam a chegada da era industrial, o navio a vapor.

O espírito romântico da época possibilitava a representação da natureza como uma força terrível a apequenar a existência humana. Invertidos os papéis, a ação humana hoje se constitui numa grande ameaça à natureza e a si própria. "No material usado na instalação fica evidenciado a submissão da natureza à indústria e à posterior degradação urbana", observa Henrique
Joseph Mallord William Turner viveu e morreu em Londres, mas viajou por vários pontos da Europa, à procura de cenários e inspirações. A observação aguçada da natureza, a sugestão de movimento proporcionada pelas formas e a luz que parece emanar das telas foram características introduzidas por Turner num tempo dominado pelos academicistas. É considerado precursor do impressionismo e inspirador de nomes de diferentes estilos, como o simbolista belga James Ensor, o fauvista francês Henri Matisse e o expressionista abstrato norte-americano Jackson Pollock.

Formado em Artes Plásticas pela ECA-USP, onde atualmente faz mestrado em Poéticas Visuais com apoio da Fapesp, Henrique Oliveira já participou de 20 exposições coletivas com destaque para a Paralela 2006 (Prodam), a "Projectiles d'Art Contemporain" (Espace Brésil/ Funarte, no Ano Brasil na França, em Paris) e "Programa de exposições" (Centro Cultura São Paulo - CCSP). Finalista do Prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça, possui obras nos acervos do Instituto Itaú Cultural e Pinacoteca Municipal de São Paulo.
http://www.lufernandes.com.br/saladeimprensa4.asp?id=785


Assista ao vídeo com entrevista completa (COPIE E COLE) - Formato WindowsMedia 
mms://videos.tvcultura.com.br/reportereco-videos/20070527-artistamadeira-150k.wmv

                 

Com a obra acima, Henrique Oliveira participou da terceira edição da exposição Paralela 2006, que ocorreu no mesmo período da Bienal (SP), reunindo cerca de 250 obras de 146 artistas representados por 12 galerias de arte contemporânea da cidade.

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  • Postado em 20:04:45

O CANTA CONTO DE BIA BEDRAN

  Bia Bedran nasceu em Niterói, Rio de Janeiro. Bia sempre foi artista. Gostava muito de ler e começou a estudar música aos seis anos de idade, fazendo aulas de flauta e violão. Aos 19, depois de passar um ano na Faculdade de Química, a jovem Bia percebeu que sua paixão era mesmo a música e então, foi preciso seguir em frente e procurar outra faculdade: a de Musicoterapia.
Em 1973 começou uma carreira, que durou dez anos, como atriz e compositora no Quintal Teatro Infantil. Também integrou o Bloco da Palhoça, dedicado à música e ao folclore, com quem gravou seu primeiro disco em 1980.
Com oito cd's gravados e três livros publicados, Bia já fez vários trabalhos na televisão, entre os quais se destaca o programa Canta Conto, que permaneceu no ar durante sete anos pela TVE, o Baleia Verde e o Lá Vem História.

 

http://www.edukbr.com.br/leituraeescrita/julho03/iprofessor.asp

 

CONFIRA: DICAS PARA O PROFESSOR NO SITE...

<< Professor,
As histórias contadas e cantadas por Bia Bedran encantam e transformam a aula em pura alegria, atingindo alunos de diferentes faixas etárias. Trouxemos apenas algumas sugestões. Porém, as histórias de Bia Bedran trazem inúmeras possibilidades de trabalho. >>


O videotinha - Bia Bedran

Se você só vê tevê, e não lê
Cuidado com ela, que a vida não é
Igual à novela, não é não,
Não é igual à novela...

Conheci uma garotinha
Que virou videotinha
Sua cara foi tomando,
O formato da telinha...
Quase já não conversava
Com os amigos não brincava
Porque só lhe interessava
O que a tevê dizia.
Desliga a tevê!
Desligo não!
Quero falar com você!?
Não falo, não!
Venha ler...
Não leio, não!
Eu só quero a televisão.
Conheci um garotinho
Que virou um videotinha
Sua cara foi tomando o formato da
Telinha.
Quase já não conversava e muito
Menos estudava.
Porque o videogame era tudo o que
Ele queria.
Pára de jogar!
Não paro, não!
Você vai endoidar!
Não endoido, não!
Vem conversar,
Não quero, não.
Estou vidrado na televisão

Sugestão:

- Com esta poesia, podemos abrir uma discussão sobre os meios de comunicação e sua influência sobre nós, especialmente a televisão.
- Listar os programas favoritos dos alunos;
- Calcular a quantidade de tempo que cada um passa vendo televisão;
- Iniciar, em parceria com a Sala de Leitura, uma campanha de incentivo à leitura;
- Promover concursos de poesias;
- Montar murais apresentando a vida e a obra dos principais escritores da literatura infanto-juvenil;
- Iniciar, junto com alunos, uma campanha de doações de livros de literatura para melhorar o acervo da escola;
- Promover atividades de leitura em horário diferente do horário da aula, permitindo que o aluno volte à escola e desligue-se um pouco da TV.

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OUTROS AUTORES E HISTÓRIAS PODERÃO SER ENCONTRADOS NO CRIATIVO PORTAL LEITURA & ESCRITA, CONECTADO A DIVERSOS LINKS !

                       http://www.edukbr.com.br/leituraeescrita/index.asp

 

                     

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  • Postado em 19:07:34

SABER OUVIR E SER OUVIDO

Ouvir e ser ouvido




Segundo Aristóteles, "Somos o que fazemos repetidamente. A excelência não resulta de um ato, mas de um hábito". O trabalho do educador é, essencialmente, um ato de comunicação; como tal depende de algumas atitudes, dentre as quais se destacam o ato de ouvir e se fazer ouvir, que devem se constituir hábitos. Na prática, quem comanda o ato comunicativo é quem ouve e não quem fala. O foco principal reside na mensagem, e esta por sua vez é assimilada pela interação, o que não ocorrerá se não for devidamente ouvida.

A pressão por mudanças no mundo é visível. O educador vive um momento de profundas transformações. Há informações em excesso. Como filtrá-las a fim de selecionar só o que valha a pena ser ouvido? Isso, sem mencionar a imensa quantidade de informações que o educando traz para a sala de aula, cotidianamente.Todos sabem de tudo. Paralela a essa realidade, lamentavelmente, o país vive uma crise de valores na educação: discute-se, mas até mesmo os teóricos se confundem sobre o quê e como fazer. Ouvir se tornou quase impossível, mesmo com excesso de decibéis no ar. Ninguém ouve ninguém. Filhos não ouvem seus pais e vice-versa. Cidadãos não ouvem às leis. Os governantes não ouvem os gritos da população por justiça. O caos se instalou.

Nesse momento abre-se a porta da criação no universo da sala de aula na busca de uma alternativa. É preciso ensinar e aprender a ouvir. Faz-se necessário ouvir o aluno. É preciso encorajá-lo a ter voz, a manifestar suas inquietações, seus anseios, questionamentos, na tentativa de ajudá-lo a construir sua identidade, especialmente os adolescentes e jovens do Ensino Médio.

Como estarão dispostos a falar se não há espaço para serem ouvidos ou quem os ouça com interesse? Se em vez de serem incentivados, são tolhidos, podados, corrigidos, amordaçados? É provável que se calem por muito tempo. Inclusão é a palavra de ordem. Criem-se os fóruns de debates na escola! É essencial que sejam antes, educados, orientados (e isso é responsabilidade dos professores!), a se expressarem com argumentos consistentes, com fundamentação, com embasamento, com simplicidade, com ética, com respeito, de forma harmoniosa, equilibrada. Limitando, de certa forma, algumas influências externas nocivas, oriundas da televisão, da moda, da publicidade, da internet, dos filmes, das revistas ou livros, que consultam, de gosto e qualidade duvidosos.

Precisam ser ouvidos. Não para serem tão-somente uma voz, mas sim uma voz significativa, convincente, valorizando assim, sua leitura de mundo, despertando-lhes a curiosidade, o senso crítico diante de uma sociedade múltipla, diversa. Que eles tenham liberdade para opinar sobre o universo político, social, cultural, ético, histórico, afinando-lhes a capacidade de perceber por si mesmos, de descobrir, de dizer com liberdade, sem se sentir o alvo da correção ou da direção do próprio professor, que não deve esperar, nem sugerir que ele "desenhe uma rosa vermelha com caule verde", ou seja, que siga à risca um plano rigoroso traçado previamente.

Nosso momento, reafirmamos, é confuso. Não é tão simples solicitar do mestre que aceite assim, tão simplesmente, algumas ideologias defendidas pelos alunos herdadas de um mundo em que a separação do correto e do incorreto é uma linha tão tênue, quase imperceptível. (...)  É um desafio inenarrável para a escola, se ela pretende ouvi-los. Mas que existe, é real, e aí está para ser enfrentado e se torna, sem que se queira, o "leão nosso de cada dia" do educador comprometido, que não apenas idealiza, mas que motivadoramente, queira realizar.

Portanto, faz-se necessário ouvir os alunos, sim. Ouvir muito, ouvir bem, mas por outro lado, ensiná-los também a ouvir na mesma proporção, para que pensem, analisem, ajam com discernimento, bom senso, evitando ser tragados pelos maus conselheiros das "esquinas da vida", descomprometidos e descompassados com a educação, com a formação, com a ética, com os princípios dignos que deve conduzir, ou no mínimo, inspirar a vida humana. Para que não se sintam sem oportunidades e atraídos por conceitos ou preconceitos que inferiorizam os seres humanos e os expõe a constrangimentos raciais, sociais, morais, religiosos, ideológicos, políticos e outros tantos que minam a sua dignidade e o seu potencial e os tornam despreparados para enfrentar o mundo fora das quatro paredes da escola.

É certo que o bom professor conhece os seus alunos, respeita-os e é respeitado por eles. Criam nesse importante relacionamento laços afetivos que lhes permitem viver numa troca constante e de qualidade, em que todos aprendem e ensinam, ato salutar, resultante do ser ouvido, mas principalmente do ouvir.


31 de Maio de 2007
Por Professores de Araguaína -Adair Martins, Glêciman de Jesus Araújo Fernandes, Jaqueline Borges da Silva, Maria Elza Ferreira de Cerqueira, Roseny Soares da Graça e Zanoni Rok Silva e Silva.

Secretaria da Educação e Cultura do Estado do Tocantins
http://www.seduc.to.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1091&Itemid=34

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  • Postado em 19:04:45

A DEUSA DO AMOR E DA COMPAIXÃO

categorias: SAIBA !

Kuan Yin, a face amorosa do feminino

Ela é a expressão de doçura e bondade para milhões de pessoas no mundo. Apoiada sobre uma pétala de flor de lótus, Kuan Yin é portadora do vaso com o néctar da felicidade, do rosário de cristal da purificação e da pedra que satisfaz todos os desejos. É assim, com tanta generosidade e presteza, que ela atende às demandas do mundo.

                                    

Kuan Yin, estátua de porcelana chinesa da dinastia Ming.

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TEXTO: LIANE ALVES - http://bonsfluidos.abril.com.br



Para os chineses, a energia yin é associada ao feminino, à suavidade, aos sentimentos profundos. Também está ligada à água, à noite e ao silêncio. Todas essas qualidades ajudam a descrever Kuan Yin, ou Kuan Shih Yin, “aquela que ouve os lamentos do mundo”. Em muitos países da Ásia, é a amada mãe divina, que cura e alivia os sofrimentos, pois de seu coração transbordam amor e compaixão.
Conhecida com Kuan Yin, na China, Kannon, no Japão, e Quan Am, no Vietnã, ela é cultuada no Ocidente até pelos não-budistas. Exprime o arquétipo da mãe que compreende os filhos e os ajuda sempre desde que o pedido seja justo. “A repetição de seus mantras é poderosa e eficaz”, afirma Anngela Marcondes Jabor, autora do livro Kuan Yin, a Deusa dos Milagres (ed. Angel Mystic), já na segunda edição.
Muitas histórias sobre a deusa da compaixão falam dessa capacidade de compreensão da alma humana. Conta-se que a jovem segunda esposa de um comerciante chinês maltratou e humilhou a primeira mulher de seu marido (a cultura chinesa permitia vários casamentos), uma devota de Kuan Yin. O desgaste foi tanto que a primeira esposa morreu. Revoltado, seu filho jurou vingança. Anos mais tarde, viu diante de si a situação ideal para cometer o crime, pois a madrasta estava longe de casa e sua morte poderia facilmente ser atribuída a assaltantes. Quando se lançou sobre a mulher, esta murmurou o mantra de Kuan Yin, que tantas vezes escutou a primeira esposa proferir. Imediatamente, o filho foi imobilizado por uma força invisível. Sob o impacto do poder da deusa, o jovem saiu correndo e desistiu para sempre da idéia. E a madrasta, consciente de que não merecia ajuda, teve uma mudança radical de atitude, procurando reparar antigos erros e reconhecendo a grande generosidade da deidade.
Diz-se que Kuan Yin já viveu na Terra. Era filha de um rei desejoso que ela se casasse com um príncipe para absorver mais poder. Mas Kuan Yin decidiu ir para um convento, onde aperfeiçoaria as práticas espirituais. Inconformado com a decisão da filha, o rei pediu às monjas que fossem duras com ela para ver se Kuan Yin desistiria do intento. A princesa não cedeu, e o rei jamais a perdoou. Já velho e doente, mandou chamar a filha. Generosa, ela o curou com um toque de mão (certas imagens de Kuan Yin tem a mão removível para ser colocada em cima dos doentes). Além disso, Kuan Yin fez o voto de não ingressar no Nirvana – lugar (ou estado) de suprema beatitude – enquanto um só ser do universo precisasse de sua ajuda.

VOTO PERENE
É esse seu voto de ajuda incondicional que os fiéis lembram a ela quando pedem seu auxílio. Como um bodisatva (pessoa elevada que se sacrifica em benefício do mundo), ela sempre os atende.
É bem provável que Kuan Yin seja a forma chinesa de uma divindade do Tibete: Tara, a tradução de “estrela”, a deidade da compaixão, que teria chegado à China com o budismo. Para os chineses, a representação tibetana (e indiana) de Avalokistevara, o Buda da Compaixão, era estranha: um ser com várias cabeças e braços, simbolizando a capacidade de ajudar. A doce Tara era mais aceitável como a imagem de amor e foi ela que se propagou sob a forma de Kuan Yin.
Os símbolos mais associados a Kuan Yin são o lótus branco, o vaso de néctar da longa vida e da felicidade (ou orvalho doce), um alvo pássaro, o mar e os peixes, o salgueiro e a pedra (ou pérola) que realiza todos os desejos (chintâmani, no antigo idioma sânscrito). Muitas vezes, Kuan Yin é representada próxima a um dragão (símbolo da sabedoria celestial) ou acompanhada de dois serviçais. Seu mantra, repetido com a ajuda de um mala (rosário) de 108 contas, é: Namo Kuan Shih Yin P’u-Sa (“Me refugio na luz da bodisatva Kuan Yin”) ou Namo Kuan Yin Yju P’u- Sa. A pronúncia desse último mantra é “namo kuan yin irru pussá” e, em pedidos urgentes, deve ser repetido mil vezes ou mais.

PERFUMES E PURIFICAÇÃO
Kuan Yin é uma representação visível da natureza iluminada. Isso significa, então, que ela não existe? Sim e não. No budismo, ela é considerada uma entidade real, um ser celestial que vive numa Terra Pura fora do samsara (ciclo de vida, sofrimento e morte a que estão sujeitos todos os seres). A ela são dedicados templos e cerimônias de purificação, cheios de incensos, flores e perfumes. John Blofeld, escritor inglês que viveu anos na China e escreveu o livro Kwan Yin, a Deusa do Amor e da Compaixão, compara a deidade com as bolas de marfim chinesas entalhadas que ficam umas dentro das outras. A cada olhar, surgem novos significados.
Os ensinamentos budistas afirmam que nada existe em separado e que nossa vida é tão real quanto um sonho. De acordo com eles, temos uma visão da realidade turvada pela ilusão, que nos faz ver tudo separadamente. Paradoxal? Para a mente ocidental, sim, para a mente oriental, não. Isto é, Kuan Yin existe tanto fora de nós quanto dentro, como a expressão de nossa natureza profunda. Considerando essa natureza essencial, amorosa, compassiva e não individual, nós e Kwan Yin somos uma única realidade.

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CURAS DE LUZ
Muitos movimentos espirituais atribuem a Kuan Yin novas formas de cura. “O sistema Magnified Healing (Cura Magnificada) usa a visualização de luzes e mantras como uma forma de reequilíbrio energético e preparação para um novo tempo, mais pleno e amoroso”, diz Maria Helena Leite de Moraes*, facilitadora do curso, realizado em três estágios. A artista plástica Nancy de Andrade Pinto, que costuma pintar telas de Kuan Yin, realiza as práticas do Magnified Healing diariamente. “Assim, me preparo para conectar essa energia tão amorosa e poder captá-la em quadros”, conta. Assim como para essa artista, o amor de Kuan Yin está cada vez mais presente e é sentido por mais pessoas a cada dia.


* Leia matéria do Blog VIva Feliz, de Mª Helena Leite de Moraes http://harmonizacao.blogspot.com/2005/10/mais-sobre-magnified-healing.html



LIVROS
• Kwan Yin, a Deusa do Amor e da Compaixão, de John Blofeld (ed. Ibrasa)
• Kuan Yin, a Deusa dos Milagres, de Anngela Marcondes Jabor (ed. Angel Mystic)

LEIA MAIS EM: http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusakuanyin.html

 

                            

IMAGEM: http://www.indigenouspeople.net/Spirituality/Mysticenter/quan_yin.jpg

 

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  • Postado em 18:43:01