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Setembro, outra vez
Janelas em pares
Se abrem a lugares
Passagens secretas
Furtivas do olhar
.
A busca, horizonte,
O rio que navega
A pedra e o monte
A noite que cega
.
A flor que se entrega
A folha, faceira
Que voa, inteira
No vento, a girar.
.
E eu, a dizer-te,
Do hoje que passa
Do tempo que escassa
Dos dias, sem ti
.
Dos muros quedados
Das fontes jorradas
Dos olhos molhados
Dos dias, sem ti
.
Queria mostrar-te
As mãos calejadas
Das notas riscadas
Dos dias, pra ti
.
E as flores, as rosas
Jasmins e mimosas
Esperam teus olhos
Tão longe daqui
.
Queria saber-te
Risonho e aprendiz
Distante e sereno
Altivo e feliz
.
Setembro encerra
A dor da saudade
A hora-verdade
Do sonho, na Terra
.
Repete, Setembro
Recorda e remete
.
Acorda o romeiro
Caminha em roteiro
Sabendo a vontade
Tentando falar
.
Mas cala nas flores
Quedando em rumores
O canto-saudade
Clamor da verdade
Que a vida deixar
.
Afasta em segredo
A sede e o medo
Revive em lembrança
Trazendo esperança
Do Sol
a brilhar
Vera G
Início de Setembro, Primavera/2007, remetendo o pensamento a um grande poeta, que nesta época se foi deste plano. Meu pai.