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ARTE BRASILIS é uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA e EDUCAÇÃO. Textos e referências para amigos, educadores, interessados em Cultura Brasileira e Educação para a Paz. artebrasilis@hotmail.com (MSN) artebrasilis@bol.com.br

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02.09.07

DOMINGO DE MOQUECA E MORANGO

CARO LEITOR, ESSA É DE DAR ÁGUA NA BOCA. DOMINGÃO AQUI EM CASA DE VEZ EM QUANDO INSPIRA UM ALMOÇO À BRASILEIRA. ENTÃO, REUNIMOS A SOBRINHADA E ENCARAMOS O FOGÃO.

HOJE FOI DIA DA MOQUECA E DO MORANGO. DAÍ TIVE IDÉIA DE FOTOGRAFAR. TAREFA DIFÍCIL COM A TURMA ESFOMEADA... E O PRATO NÃO DUROU MUITO...PENA QUE INTERNET NÃO REGISTRE O AROMA...HUUUMMM.

AS DUAS RECEITAS FORAM FEITAS A OITO MÃOS...E ISSO QUE AS TORNOU TÃO SABOROSAS. DESCULPEM A MALDADE DAS IMAGENS, MAS COLOQUEI TAMBÉM O MODO DE FAZER, LOGO ABAIXO, EM COMPENSAÇÃO.

 ABRAÇOS DA VERA - ARTE BRASILIS

   

                  

 

MOQUECA CAPIXABA

Ingredientes (base para 4 pessoas):
800 gr de filé de badejo
½ kilo de tomates maduros
1 pimentão verde
3 cebolas pequenas ou 1 talo de alho porró
½ maço de coentro
5 dentes de alho fresco
½ garrafa de leite de côco (se desejar)
1 limão
Azeite puro de oliva
Sal

Modo de Fazer:
Corte o peixe em pedaços médios. Tempere com alho picado, sal e limão, a gosto. Reserve.
Retire as sementes dos tomates e corte-os em pedaços pequenos. Reserve.
Corte a cebola (ou o alho porró) em fatias finas. Reserve
Lave o maço de coentro e destaque as folhas, uma a uma. Reserve.

Em uma panela de barro tamanho médio (deve ser de barro porque: ela cozinha e não frita os alimentos, portanto o sabor fica mesmo diferente!) aqueça 1 xícara de azeite puro de oliva, acrescentando o alho picado e sal a gosto, até o alho absorver o azeite (aumenta de tamanho). Acrescente a cebola, o pimentão e deixe refogar por uns 5 minutos.
Depois acrescente os tomates picados e deixe mais uns 10 minutos, com a panela tampada.
Em seguida, afaste o refogado do centro da panela, para ir colocando ali, um a um, os pedaços de peixe temperado. Ao final, recubra o peixe com o refogado da lateral. Abafe novamente e deixe cozinhando por mais 10 minutos. Finalmente, cubra tudo com as folhas de coentro, abafando por mais uns 5 minutos. Retire o caldo desta mistura com uma concha e faça um pirão, podendo acrescentar pequenos pedaços cozidos do peixe. O pirão é feito com farinha de mandioca torrada (pode ser pronta, temperada). Dissolva-a aos poucos no caldo, misturando até levantar fervura, em ponto de mingau (quantidade aproximada 1 xícara rasa de farinha). Sirva quente, com arroz branco salpicado de alho desidratado e torrado !

 

 

                  


DOCE GELADO DE MORANGO DA DONA HEBE

Ingredientes do creme:
1 lata de leite condensado
1 lata de creme de leite (com soro)
1 vidro de leite de côco
1 pacote de gelatina em pó, sem cor e sem sabor
morangos em metades, para decorar

Ingredientes da calda:
1 pacote de gelatina sabor morango
2 colheres (sopa) de polvilho doce
500 ml (2 copos requeijão) de água


Modo de Fazer:
O Creme: Bater no liquidificador todos os ingredientes, juntamente com alguns morangos.
Despejar a mistura num recipiente e colocar na geladeira para gelar. Quando estiver gelado, coloque os morangos em metades para decorar a superfície.
A Calda: Dissolva em panela média, o pacote de gelatina sabor morango no ½ litro de água. Leve ao fogo brando, mexendo sem parar até que fique transparente e ferva. Após fervura, continue mexendo mais 1 minuto. Deixe ficar quase frio para despejar aos poucos sobre o creme gelado de morangos, feito anteriormente. Sirva gelado.

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A COZINHA DE RAQUEL DE QUEIROZ

categorias: MEMÓRIA NACIONAL

                                         

O Não Me Deixes - Suas Histórias e Sua Cozinha - Rachel de Queiroz e Maria Luiza de Queiroz.

A escrita de Rachel flui como de costume: seca, mas nunca dura; carregada de poeticidade, mas nunca dramática. A descrição minuciosa, ilustrada por fotos antigas da fazenda Não Me Deixes, deixa entrever o significado daquelas lembranças para a autora. São receitas passadas de geração em geração, variando de acordo com a disponibilidade dos ingredientes da época. Afinal, na seca também se come.
(...)
Como se tantas "comidas da alma", como a autora Nina Horta chama essas iguarias reconfortantes, não fossem suficientes para justificar o amor de Rachel de Queiroz por sua terra, no sertão cearense de Quixadá, a escritora ainda defende ao fim do livro seus motivos: sonhar em plantar melancias, sentir-se pura, viver sem conhecer ambição. São razões que se somam aos pratos típicos no coração de Rachel, que agora quer mais cozinhar que escrever.
Por Renata do Amaral

http://rainhasdolar.com/index.php?itemid=76&catid=23

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As comidas da alma de Rachel de Queiroz

Por Renata do Amaral
Do Quinto Pecado http://servlets.hotlink.com.br/quintopecado/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeSecao


No livro de memórias gastronômicas de Rachel de Queiroz, a aridez do sertão cearense contrasta com a doçura das sobremesas. Sob a tutela das cozinhas portuguesa e indígena, mestiças com ares da Tia Anastácia imortalizada por Monteiro Lobato esquentam a barriga em frente aos tachos. São horas e horas de um trabalho cujo resultado some em minutos, escorregando pelas ávidas boquinhas das crianças da fazenda, sempre em busca de um pote de doce sobre o armário.

A escrita de Rachel flui como de costume: seca, mas nunca dura; carregada de poeticidade, mas nunca dramática. A descrição minuciosa, ilustrada por fotos antigas da fazenda Não Me Deixes, deixa entrever o significado daquelas lembranças para a autora. São receitas passadas de geração em geração, variando de acordo com a disponibilidade dos ingredientes da época. Afinal, na seca também se come.

Outrora, até o queijo de coalho, iguaria indispensável à mesa do nordestino, era fabricado artesanalmente na própria fazenda. As receitas foram colhidas oralmente com as cozinheiras, suas filhas ou suas netas. Intercaladas com os modos de preparo dos pratos, há pequenas pílulas de histórias reais ou fictícias que fazem menos dura a vida de quem mora nos ermos do sertão.

De baião-de-dois a canjica, de panelada de carneiro a paçoca, a obra traz os principais pratos da culinária sertaneja. O destaque, porém, vai para os doces. "O cardápio nas fazendas sertanejas não era nem rico nem variado, mas isso apenas no que se refere às comidas de sal, pois que nas sobremesas era a glória", afirma a autora. A prova está na elaboração, de fato gloriosa, de castanhas de caju confeitadas, bolo de milho, pé-de-moleque e doces mil.

Como se tantas "comidas da alma", como a autora Nina Horta chama essas iguarias reconfortantes, não fossem suficientes para justificar o amor de Rachel de Queiroz por sua terra, no sertão cearense de Quixadá, a escritora ainda defende ao fim do livro seus motivos: sonhar em plantar melancias, sentir-se pura, viver sem conhecer ambição. São razões que se somam aos pratos típicos no coração de Rachel, que agora quer mais cozinhar que escrever.

Título: O não me deixes - suas histórias e sua cozinha
Autor: Rachel de Queiroz

Editora: Siciliano

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 A escritora Rachel de Queiroz sempre se notabilizou por ser precoce. Seu primeiro romance, O Quinze, foi escrito antes dela completar 20 anos. E apesar disso, é uma das obras mais importantes da nossa literatura. Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, depois de muito tempo de inadmissível exclusividade masculina. E agora, aos 90 anos, nos brinda com o livro O Não Me Deixes: Suas Histórias e Sua Cozinha.

Em sua obra, Rachel de Queiroz sempre abordou a vida do sertanejo nordestino. Uma vida simples e pobre, cheia de dificuldades e sem nenhum glamour. Para nós, do Sudeste, sempre será difícil entender esse modo de vida. Nós que, em maior ou menor grau, nos acostumamos a discriminar o nordestino do sertão que vem para cá fugido da seca e da pobreza. Os chamamos de baianos em São Paulo ou de paraíbas no Rio de Janeiro, mostrando nossa incapacidade de discernir e perceber as nuanças e diferenças entre cada uma de suas culturas. Nós até compreendemos o modo de vida do nordestino do litoral. Com seu sotaque gostoso, sua música alegre, sua culinária rica. Mas o modo de vida sertanejo sempre foi difícil de entender, de compreender, de aceitar. Ele, entretanto, vem para cá e sobrevive em condições muito mais difíceis que as nossas, confirmando o que Euclides da Cunha já tinha percebido e tornado público. Que ele é um forte.

Nesse livro, a autora retrata a rotina na cozinha de sua fazenda no sertão do Ceará e aborda a culinária sertaneja. Mostra a diferença desta culinária simples e pobre com as da Bahia e Pernambuco, mais ricas e famosas. Uma culinária baseada principalmente na escassez. Como a própria autora salienta, "se tiver um pedaço de toucinho para temperar o feijão, muito bem, mas é luxo." Por isso mesmo, uma culinária aparentemente menos inventiva. Mas é só aparência. É muito mais difícil criar na escassez do que na fartura. E o sertanejo revela-se, enfim, criativo com as poucas opções que tem. Usando a carne de bode e a farinha. O feijão e a galinha. O milho e o leite. E depois disso, regalar-se com os doces. Sim, pois o livro mostra que em matéria de doces a culinária sertaneja recupera toda a riqueza de que se privou.

O livro traz receitas típicas do sertão cearense. E entremeia essas receitas com histórias deliciosas, ora fictícias, ora reais, com personagens da fazenda.

Mais do que um livro de culinária, fala da vida do sertanejo. Uma vida simples e econômica, como sua cozinha.

- Arnaldo Heredia -
http://polemikos.com/livro/liv20001019.html

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Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza (CE), em 17 de novembro de 1910, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 4 de novembro de 2003.

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