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Olha aí, uma releitura, transformada em "causo". Li e gostei. Querem ler também ?
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<<<<<<<<< O PROFESSOR, A CADELA E O CAVALO <<<<<<<<<
EM "POÉTIKA & TEXTOS", RICARDO SÉRGIO ESCREVEU:
Em 1747, Voltaire publica “Zadig, La Déstinee”, contendo onze contos de temática oriental, inspirados nas Mil e uma Noites de Galland, bastante na moda na sociedade francesa daquele tempo. Na época em que cursava Letras, fiz como exercício literário, algumas versões destes contos como se fossem causos brasileiros. O que lhes apresento, é o de minha preferência.
Certa vez, um renomado professor, desiludido da vida em si, principalmente a amorosa, resolveu retirar-se para a clandestinidade do campo; deixar seus estudos de física e dedicar-se ao dos animais e plantas que lá viviam.
Em pouco tempo de vida campestre, o Professor, já havia adquirido tanto conhecimento sobre a natureza da qual, agora, fazia parte, que via mil diferenças onde os outros nada viam.
Ora bem, estava o Professor, certo dia, a andar pela mata, quando “deu de cara” com um sertanejo seguido de vários soldados da polícia. Andavam de um lado para outro, a olhar através do mato, como se procurassem por algo muito precioso, que fora perdido.
— Caboclo – disse-lhe o sertanejo, que ia a frente dos demais como um guia – não viu por aí o cachorro do Coronel Epaminondas?
— Não é um cachorro, é uma cadela, respondeu o Professor.
— Tem razão – retrucou o sertanejo
— É caçadeira, e por sinal muito pequena – acrescentou o Professor – deu cria há pouco; manca da pata dianteira esquerda e tem as orelhas muito compridas.
— Ah! Então, você a viu? – perguntou o sertanejo, ofegante.
— Não — respondeu o Professor — nunca a vi na minha vida, nem conheço o Coronel Epaminondas, e muito menos se ele tinha ou não uma cadela.
Nesse mesmo tempo, aproxima-se do local, outro sertanejo e outros soldados. O segundo sertanejo vai logo lhe perguntando se não vira, por acaso, o cavalo do Coronel que também se extraviara na mata, motivo pelo qual a cadela foi colocada em seu alcanço e acabara se perdendo.
— É - respondeu o Professor — um cavalo de bom galope; tem dois metros de altura e os cascos pequenos; a cauda tem um metro e meio de comprimento e as ferraduras são de prata.
— Que direção ele tomou? Onde está? — perguntou o segundo sertanejo.
— Não o vi — respondeu o Professor, — nem nunca ouvi falar nele.
Os dois sertanejos e os soldados não tiveram mais dúvidas de que o Professor havia se apoderado do cavalo e a cadela do Coronel Epaminondas. Deram-lhe voz de prisão e conduziram-no perante o delegado; que o mandou perante o juiz; que o condenou a passar o resto da vida na prisão.
O juiz, mal acabara de proferir a sentença, quando foram encontrados o cavalo e a cadela. Viu-se, então, na dolorosa obrigação de reformar sua sentença; mas por um capricho seu, condenou, o professor, a desembolsar dois mil reais, por haver dito que não vira o que tinha visto.
— Não aceito passar por mentiroso, meritíssimo, exijo o meu direto de defesa – atalha o Professor revoltado.
Após, consultar seus auxiliares, O juiz lhe concede a licença para se defender, porém, como é de costume, primeiro foi preciso pagar a multa.
O Professor iniciou a defesa nos seguintes termos:
Já que me é dado falar perante esse tribunal, eis o que me aconteceu: Passeava eu pela mata, quando vi na areia as pegadas de um animal. Descobri facilmente que eram as de um pequeno cão. Sulcos leves e longos, impressos nos montículos de areia, por entre os traços das patas, revelaram-me que se tratava de uma cadela cujas tetas estavam pendentes, e que, portanto não fazia muito que dera cria. Outras marcas em sentido diferente, que sempre se mostravam no solo ao lado das patas dianteiras, denotavam que o animal tinha orelhas muito compridas; e, como notei que o chão era sempre menos amassado por uma das patas do que pelas três outras; compreendi que a cadela do mancava um pouco.
Quanto ao cavalo, divisei, no mesmo local, marcas de ferraduras que se achavam a igual distância, próprio de um cavalo que tem um bom galope. A poeira dos troncos, no estreito caminho, fora levemente removida à esquerda e à direita, a um metro e meio do centro da estrada. “Esse cavalo — disse eu comigo — tem uma cauda de um metro e meio, a qual, movendo-se para um lado e outro, varreu assim a poeira dos troncos”. Vi, debaixo das árvores, que estas formavam uma cobertura de dois metros, e pelas folhas recém-arrancadas, concluí que o cavalo lhes tocara com a cabeça e que tinha, portanto, dois metros de altura. E, enfim, pelas marcas que as ferraduras deixaram em algumas pedras, descobri que eram de prata.
Pasmado pelo tamanho conhecimento do professor e tomado de profundo discernimento, o juiz reconheceu a inocência do réu. Determinou que lhe fosse restituído o dinheiro da multa, porém, como é o costume, mil e quinhentos reais ficariam retidos para pagar os custos do processo e o restante como gratificação aos assistentes do juiz, pela hora extra.
O Professor reconheceu a indulgência do juiz e compreendeu como era, às vezes, perigoso ter um pouco mais de conhecimento que os outros mortais. “Como é lamentável, meu Deus, — dizia ele consigo, — a gente ir passear num lugar por onde passaram a “cadela e o cavalo”! Que perigoso chegar à janela! E como é difícil ser feliz nesta vida!”. Jurou consigo que, na próxima ocasião, nada diria do que por acaso houvesse testemunhado.
A tradução do texto original que deu origem a esta versão é de Nélson Jahr Garcia (1947-2002).
Ricardo Sérgio de Menezes Nunes (Pantaneiro)
http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=2482
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REALIDADE VIRTUAL É O LIVRO DE JOSÉ ANTONIO KLAES ROIG

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LIVRO QUE RELATA E INSTRUI. MAS TAMBÉM DIVERTE, SURPREENDE E TORNA CÚMPLICE O SEU LEITOR. COMO O PRÓPRIO NOME INDICA, A REALIDADE VIRTUAL CITADA NO LIVRO LEMBRA-NOS DA NECESSIDADE DE REFLETIRMOS SOBRE ESTE FENÔMENO, QUE É A INTERNET.
O AUTOR É PROFESSOR, UTILIZA A INFORMÁTICA NO ENSINO, MAS ALERTA PARA A PRESENÇA HUMANA E REAL NO APRENDIZADO E NA VIDA.
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EM TUDO, UM BENEFÍCIO A SER APRENDIDO. TECNOLOGIAS CADA VEZ MAIS AVANÇADAS, QUE SE UNEM A METODOLOGIAS CADA VEZ MAIS HUMANIZADAS. ESTE O PARADIGMA DO NOSSO SÉCULO.
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DE IDENTIFICAÇÃO COM METÁFORAS E REALIDADES. DE CONCEITOS PRÓXIMOS, DO SIMPLES E DO BELO. RECORDANDO VIRTUDES, HERÓIS E EMOÇÕES. CUMPRINDO SEU PAPEL LITERÁRIO DE ENTRETER, INFORMAR, CRITICAR COM HUMOR REFINADO E FAZER CALAR, PARA REFLETIR.
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O AUTOR MANTÉM UM BLOG EDUCATIVO - LETRA VIVA DO ROIG - COM ATUALIZAÇÕES CONSTANTES, CONTEÚDO E LINKS INTERESSANTES.
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LUIZ MAIA (RECIFE-PE)
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CONHECI O AMIGO NUMA COMUNIDADE VIRTUAL (2002), CUJOS ASSOCIADOS DISCUTEM QUESTÕES SOBRE INCLUSÃO, SOCIEDADE, CONVIVÊNCIA. DESTA INTEGRAÇÃO, DE NORTE A SUL DO PAÍS, ESTABELECERAM-SE MUITAS AMIZADES.
A HISTÓRIA DESTE ESCRITOR MISTURA-SE COM O PRÓPRIO NASCIMENTO DA SUA ESCRITA, A PRINCÍPIO TERAPÊUTICA, SEGUINDO-SE DO TALENTO NATO.
REENCONTRO O AMIGO E SEUS TEXTOS, PERCEBENDO O QUANTO EVOLUIU SUA OBRA, MANTENDO CARACTERÍSTICA DE ELEVAR OS SENTIMENTOS NOBRES E OS VALORES HUMANOS.
O ESCRITOR MANTÉM UM CADASTRO PARA ENVIO DE MENSAGENS DIÁRIAS, BASTANDO ACESSAR SEU SITE PARA SOLICITAR RECEBIMENTO.
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz
VER@ ~ ARTE BRASILIS
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FONTE: Jornal'Ecos da Literatura Lusófona
20 de setembro de 2007
Amor à natureza
Tenho visto da varanda a cidade do alto, por entre as árvores das ruas deste lugar. Fujo, como os sagüis assustados, dos intermináveis engarrafamentos passeando pelo imaginário verde desta floresta. Essa maneira especial de gostar da natureza traduz um sentimento imperturbável, prazeroso eu diria. Tal como o andamento da vida, esse meu jeito persiste ao longo do tempo. Por outro lado, tenho sofrido demais ao presenciar o desprezo dos homens com o meio ambiente. Minha ligação com o verde, com a flora e com os animais é algo muito bonito dentro de mim. Só quem me conhece sabe como eu amo tudo isso. Chego a acreditar que se realmente existir a reencarnação, como pregam e crêem os espíritas, certamente eu já fui um animal um dia ou, quem sabe, uma árvore ou mesmo um pássaro...
Um belo dia imaginei que eu me transformara numa frondosa e bela árvore, do pouco que ainda resta da Mata Atlântica. Eu me comprazia ao perceber que podia oferecer fruto e sombra às pessoas, além de embelezar o ambiente levando oxigênio para o homem respirar ar puro. Eu me sentia útil e feliz com o meu destino, até que um dia eu vi os homens se aproximarem de mim com moto-serras e, sem nenhum escrúpulo, sem dó nem piedade, cortaram os meus galhos, deixando-me morta e deitada no chão. Em pouco tempo eu já fazia parte da mobília de alguma família, passei a ser um simples móvel...
Continuando com esse inesperado sonho, eu pedi para nascer novamente, agora em forma de pássaro. E foi assim que eu renasci debaixo das penas azuladas de um lindo pássaro da Região Amazônica. Que maravilha era desfrutar do infinito das matas, do lindo e imenso céu azul! Eu acordava me sentindo livre, leve e dono do mundo. A minha vida era contagiada de pura alegria, cantando feliz para o mundo que me acolheu um dia. Perdi a conta das vezes em que eu voei sobre quilômetros e quilômetros de florestas virgens, planando sobre cachoeiras até voltar ao meu ninho. Mas um dia vieram os homens e me pegaram no alçapão. Preso, junto com outros pássaros, eles decidiram nos vender em cidades distantes. Não suportei os dias preso e morri. Não demorou muito para eu virar uma ave empalhada, uma forma estranha de prazer dos homens...
Mas aí achei de pedir a Deus para nascer novamente. Dessa vez eu quis vir em forma do vento. Sim, eu queria ser o próprio vento! Não demorou muito para eu estar em atividade de novo, só que mansamente. Mas aí comecei a me lembrar de outras vidas, do mal que me fizeram e num segundo tomei raiva dos homens. Num momento de total insensatez eu pensei em me vingar de todos eles. Afinal, eu era vento e podia a qualquer momento me transformar num tornado. E comecei a mudar de forma, passando a levar muita dor a cidades inteiras, deixando um rastro de destruição. Os homens estavam desta vez reféns de mim. Eu era forte e podia acabar com a vida deles quando quisesse. Mas de repente uma tristeza imensa invadiu minh'alma. Eu estava me igualando aos homens na pior forma de levar a dor aos outros. E logo me veio o arrependimento e passei a atuar apenas como brisa. Somente assim eu passei a me sentir novamente útil, livre e responsável com a minha missão nesta terra.
Quem é Luiz Maia
Chamo-me Luiz Maia. Profissão: Escritor Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos". http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz
Nasci em 20 de agosto de 1947, no Recife-PE. Em 1999, comecei a escrever sobre minha vida. O resultado foi o lançamento do livro "Veredas de uma Vida". No ano seguinte, iniciei uma série de crônicas que se transformou no livro "Sem Limites Para Amar". Em 2004, aconteceu o lançamento do livro de textos reflexivos intitulado "Cânticos", em parceria com Ana Emília. A experiência de escrever e publicar três livros reforçou em mim o gosto pela literatura. É a prova de que podemos seguir caminhando pela vida, com uns sonhos na cabeça e muita esperança no coração, em busca de nossos ideais.