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A EDUCAÇÃO MULTICUTURAL
A educação multicultural é a direção necessária que deve tomar o processo educativo para fazer face à complexidade de um mundo que se globaliza num ritmo crescente. O grande objetivo é evitar que o processo de globalização reduza a uma homogeneização, cujo resultado é a extinção de várias expressões culturais.
Assim como a biodiversidade essencial para a continuidade da vida, a diversidade cultural é essencial para a evolução do potencial criativo de toda a humanidade.
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A preservação de identidades nacionais num mundo em processo de globalização é de fundamental importância. Reconhecendo que a educação tem raízes culturais que respondem às necessidades intelectuais dos homens.
Qualquer teoria do conhecimento deveria incluir, de modo integrado, estudos de cognição, de epistemologia, de história, de política e de educação, numa reflexão ampla sobre a sociedade e á própria natureza do conhecimento.
A educação formal é baseada em mera transmissão (ensino teórico) e de técnicas, habilidades e adestramento (ensino prático).
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Do ponto de vista das modernas teorias de cognição, não há como avaliar as habilidades cognitivas fora do contexto cultural. As capacidades cognitivas são próprias de cada indivíduo, assim como há estilos cognitivos próprios de uma cultura, há diferenças entre os indivíduos de uma mesma cultura. Diferenças interculturais e intraculturais.
Embora a educação tente compatibilizar diferentes princípios para organizar o sistema social, não se pode eliminar a autenticidade e individualidade destes princípios.
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O JOVEM, HOJE
Qual a posição do jovem com relação a tudo isso ?
Sem dúvida, ele vê, acompanha, sente o que se passa na família e na comunidade. Através da televisão, acompanha o mundo. Através da informática, navega pelo imaginário, vai ao passado e se projeta no futuro, criando realidades virtuais. Contudo, no sistema escolar, há uma tentativa de enganar este jovem, oferecendo-lhe um currículo desinteressante e descomprometido com a realidade.
Este jovem, sem perspectivas profissionais, tem crítica suficiente e percebe que o que lhe é ensinado é obsoleto e inútil, na maioria das vezes. Pois ele aprende muito mais fora da escola. A escola está descompassada.
Se pretendemos uma educação abrangente, envolvida com o estado do mundo, abrindo perspectivas para um futuro melhor, temos que repensar nossa prática, nossos currículos. Os objetivos da educação são muito mais amplos que aqueles tradicionalmente apresentados nos esquemas disciplinares.
A globalização, na qual este jovem está inserido, tem como conseqüência uma nova divisão do trabalho intelectual. Provoca a necessidade do trabalho em equipe no ensino e na pesquisa.
Pressiona para o surgimento de estudos comparados e de variedade de modelos.
Pressiona para a perspectiva holística que conteste a visão fragmentada do conhecimento. O conhecimento de hoje deve ter seu foco ampliado, respondendo questões complexas, abordando temas amplos, enfrentando situações novas.
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PALAVRAS FINAIS
As tênues barreiras que dividem os seres humanos continuam a provocar inúmeros conflitos: etnias, sexo, religião, nacionalidade. Nascer em diferentes culturas, geograficamente distantes, ou possuir crenças, valores e vínculos diversos... O mal é que nos atemos mais a essas casuais diferenças do que às infinitas identidades. Somos todos humanos. Nossa história genética nos moldou e dotou dos mesmos órgãos, sentidos, conexões neurais e padrões de comportamento. Somos todos dependentes para nascer e morrer. Nascemos e morremos todos do mesmo jeito. O que nos une é bem mais forte do que aquilo que nos distingue. Então, por que fazemos da diferença a divergência e da distinção a separação ?
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Leonardo Boff em A Águia e a Galinha (Ed Petrópolis, Vozes. Pág. 90) diz que:
“Ethos - ética em grego - designa a morada humana. O ser humano separa uma grande parte do mundo para, moldando-o a seu modo, construir um abrigo protetor e permanente. A ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma vez. O ser humano está para sempre tornando habitável a casa que construiu para si.”
Reflexões extraídas dos livros
Transdiciplinaridade, de Ubiratan D’Ambrosio, Ed. Palas Athena, 2001
Ética, Valores Humanos e Transformação, Série temas transversais vol. I Editora Fundação Peirópolis, 1998 (autores: Lia Diskin, Marilú Martinelli, Regina de Fátima Migliori, Ruy Cézar do Espírito Santo)
A Obra do Artista – Uma Visão Holística do Universo – Frei Betto, Ed. Ática, 2000.
POST ASSOCIADO: http://artebrasilis.blog.terra.com.br/educar_para_a_etica
(IMAGENS PROTEGIDAS POR DIREITOS AUTORAIS - BLOG ARTE BRASILIS)
O QUE NOS UNE ?
No decorrer da História, a maioria das distorções da longa busca da humanidade pelo conhecimento tem resultado numa separação segregacionista entre as ciências e as tradições. Contradições entre os conhecimentos tradicionais e científicos impõem o atributo de “racional” de um lado, que resulta no desdém para o outro lado.
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A ciência e os valores ligados ao pensamento científico/racional foram muitas vezes usados para racionalizar variantes da exploração dos seres humanos, sobretudo nos processos de produção, divisão de trabalho, ordem econômica, política e social.
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A conquista do Ocidente, e sua “missão civilizatória”, desenvolveram na Europa um novo modo de pensar, há cerca de 500 anos. Resultou num modelo de sociedade dominado pela ciência e tecnologia, onde os conceitos de humanidade e ética foram gradualmente sendo removidos. Os códigos de responsabilidade ética tem sido “racionalizados”, confinados ao domínio das tradições, apenas.
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Este modelo de pensamento, que prevalece desde o século XVI, gerou três terríveis distorções:
1. A interpretação das diferenças humanas como estágios diversos na evolução da humanidade.
2. A visão de que a não-satisfação das necessidades básicas materiais é sinal de “preguiça”. E que a busca da satisfação das necessidades espirituais é uma falta de racionalismo científico.
3. A preservação do patrimônio natural e cultural sendo um “obstáculo” ao progresso. (O progresso surge como conceito associado a este novo modelo de pensamento).
Estas três características, associadas à arrogância, indiferença, desumanidade e comportamento irresponsável violaram a sabedoria natural da espécie e impuseram ao Homo sapiens sapiens a mais séria das ameaças: a da extinção.
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DA SOBREVIVÊNCIA PARA A TRANSCENDÊNCIA
Os hominídeos surgem há cerca de 4,5 milhões de anos. Quando o Homo sapiens surgiu para a vida, ferramentas, instrumentos, equipamentos e técnicas entraram em jogo, desempenhando um papel nessa composição. As relações dessa nova espécie com a realidade natural – da qual era parte integrante e não simples observadora – não puderam fugir do triângulo da sobrevivência. O fato é que a sobrevivência, inerente às espécies vivas, precisa que o triângulo (adiante) seja mantido. São ações essenciais para conservar o equilíbrio.
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A quebra deste triângulo, em qualquer um dos lados, resultaria no término da vida no planeta.
Até que nossa espécie, o Homo sapiens sapiens, substituiu um novo triângulo ao da sobrevivência. Desenvolveu outras características importantes. Como por exemplo, a postura bípede, um senso mais apurado de observação, e graças ao desenvolvimento do pescoço/cabeça uma estruturação especial do ouvido interno. A diferenciação da traquéia possibilitou combinações de sons e tornou mais sofisticada a comunicação.
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Estas características, combinadas ao desenvolvimento do córtex cerebral, deram origem a um melhor controle corporal, a um processamento melhor da informação e memória, a noção de passado e futuro e desenvolvendo uma forma criativa de comunicação: a linguagem. As características animais, além do impulso pela sobrevivência, aliaram-se à inteligência e à vontade.
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Cada indivíduo desta espécie hominal, como qualquer outra espécie viva, está em constante processo de luta por sua própria sobrevivência e continuidade da espécie.
No entanto, neste processo, o homem vai adquirindo mediadores entre ele próprio, seu semelhante e a natureza, que são artefatos em forma de instrumentos, equipamentos e técnicas de comunicação. A realidade é ampliada, modificada. A natureza é desfigurada. Por meio dos sentidos, os artefatos informam outros indivíduos.
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Cada indivíduo da espécie Homo sapiens sapiens é equipado com características internas, que o submetem à luta pela sobrevivência individual e a continuidade da espécie. Deste modo, desenvolve um comportamento peculiar, exclusivo de sua espécie, que é o poder de decidir sobre seu comportamento. Este princípio é essencial, chamado nas diferentes tradições de: espírito, alma, anima, carma e várias outras denominações. É a necessidade essencial de explicar, entender, transcender a própria existência da pessoa, extraí-la de seus ancestrais e projetá-la para gerações futuras. Assim, o homem adquire um senso de passado e futuro – o senso do tempo.
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Sobrevivência e transcendência configuram a essência da vida humana.
E a busca do outro, que na fase anterior era puramente animal e um mero mecanismo de continuação da espécie, aqui passa a ser a descoberta do “tu”, primeiro passo para a transcendência do espaço pessoal. Para que nele a pessoa se projete. É o triângulo da transcendência.

Reflexões extraídas dos livros
Transdiciplinaridade, de Ubiratan D’Ambrosio, Ed. Palas Athena, 2001
Ética, Valores Humanos e Transformação, Série temas transversais vol. I Editora Fundação Peirópolis, 1998 (autores: Lia Diskin, Marilú Martinelli, Regina de Fátima Migliori, Ruy Cézar do Espírito Santo)
A Obra do Artista – Uma Visão Holística do Universo – Frei Betto, Ed. Ática, 2000.
(IMAGENS PROTEGIDAS POR DIREITOS AUTORAIS - BLOG ARTE BRASILIS)
POST ASSOCIADO: http://artebrasilis.blog.terra.com.br/educar_para_a_etica
Reflexões sobre a Educação
Pensar é mais interessante do que saber, mas menos interessante do que olhar. Goethe
Segundo Carlos Rodrigues Brandão (1), que prefacia o livro - O Valor de um Olhar – Na Escola, Família e Empresa (2):
“Quem trabalha com Educação em qualquer uma das suas muitas modalidades, sabe que em tempos de fortes apelos ainda estamos às voltas com desafios que saltam de ‘ou...ou’ para um ‘e...e’ - fundamentos da visão transdisciplinar. Procuramos justificar com teorias e práticas a escolha de uma destas opções”.
Destacamos aqui a importância do Olhar. Que pousa sobre o quê ? Já que a Educação é um processo contínuo, fundado sobre racionalidade, intuição, imaginação criadora e sentimento. Onde estaria a integração – frágil, mas desafiadora - das interações entre as pessoas, que vivem, percebem, sabem, pensam e criam ? Mas quem sabe a resposta recairia sobre as escolhas, e a interação das pessoas com elas próprias, com os seus outros, com o seu mundo.
Vivemos os tempos mais espantosos da Educação. Múltiplo, plural, explode em teorias sociais, multiplicam-se ideologias, muitas vezes conflitantes. Não há mais escolas pedagógicas hegemônicas, e nem metodologias de ensino-aprendizagem consagradas, com pretensões de eternidade. A palavra de nosso tempo é: Diálogo.
As Ciências se intercomunicam. Entre elas as Artes, as Religiões, as Espiritualidades do Ocidente e as Tradições Orientais, bem como as populares, incluindo as indígenas. Descobrimos que estando abertos a tudo podemos aprender e formular perguntas, esperando respostas mais difíceis.
Muda, gradualmente, a postura dos educadores. Que agora entendem-se por pessoas que ensinam enquanto aprendem e que aprendem enquanto ensinam.
A Educação descobre que seu horizonte é o mesmo. E que sua base é a construção da felicidade humana. Escancara suas portas e janelas para que cada contexto de vida, sociedade e cultura re-aprenda a saber construir a felicidade humana, de forma mais responsável e solidária possível.
Mas descobre, também, diversas vocações nos seus sujeitos: educadores e educandos. Caminhos múltiplos e diferentes, que alguns ousam aceitar. A Educação invade, portanto, de maneira legítima e irreversível, os círculos sociais de interação humana, que vão desde o núcleo familiar até a empresa. Em qualquer um destes, há troca de saberes, significados, sentidos, sentimentos e sociabilidade.
O educador, na figura cultural do professor, multiplica-se entre nomes e vocações. O sistema escolar é apenas mais um deles. Dentre os sistemas em que ensinar-e-aprender é uma razão de ser.
Os tempos são controvertidos. Mas cheios de esperança. Uma era em que tudo muda e se transforma cada vez mais depressa. Precisamos integrar novos conhecimentos, e assim sempre aprender e re-aprender. O ensino é contínuo. E o melhor educador sabe que é e será sempre um aprendente. Agora, mais do que nunca, a educação é um cruzamento de muitas vias. Com uma praça central onde as pessoas se reúnem em círculos e dialogam. E sabem que quem menos sabe ainda assim tem muito a ensinar. E aquele que mais sabe (ou pensa que tudo sabe) ainda tem muito a aprender. Todos temos muito o que aprender. Especialmente a olhar, antes de ensinar isto ou aquilo.
São tempos onde os princípios da co-responsabilidade, da participação e da partilha surgem como valores orientadores de condutas, na escola, na empresa e na família. Onde o gerente se transforma em gestor. E o gestor em educador.
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(1) O trecho acima é uma interpretação sintética do prefácio do livro citado, sobre o pensamento de Carlos Rodrigues Brandão, graduado em Psicologia pela PUC, RJ, mestre em antropologia social pela Univ. de Brasília. Doutor em Ciências Sociais pela USP. Livre docente em antropologia do simbolismo pela Unicamp. Pós-doutorado na Itália e Espanha. Entre outros títulos.
(2) Do livro: Cedotti, Walmir / dos Santos, Osório Roberto - O Valor de um Olhar – Na Escola, Família e Empresa – São Paulo – WHH – Willis Harman House, 2003
