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ARTE BRASILIS é uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA e EDUCAÇÃO. Textos e referências para amigos, educadores, interessados em Cultura Brasileira e Educação para a Paz. artebrasilis@hotmail.com (MSN) artebrasilis@bol.com.br

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Arquivo de: Outubro 2007, 18

18.10.07

COMENTÁRIOS. FILME. O OITAVO DIA

categorias: SAIBA !

 

 

Filme:     O    O I T A V O     D I A


(LHE HUITIÈMERE JOUR / THE EIGHTH DAY)

França, 1996.

 


<< Existem dos filmes muito interessantes que tratam da excepcionalidade. Um é O Oitavo Dia (Le huitième jour), do diretor belga Jaco van Dormael, que conta sobre a amizade de um executivo estressado, Harry (Daniel Auteuil) e um rapaz com Síndrome de Down, Georges (Pascal Duquenne). Georges vive num internato para excepcionais desde a morte de sua mãe (além dela, ele só possui uma irmã, que não quer ficar com ele). Um dia ele sai de lá e acaba se perdendo na estrada — onde é encontrado por um executivo que está se divorciando e é um pai ausente. Durante o filme, Harry aprende com Georges a dar valor as coisas da vida que antes passavam despercebidas para ele. Embora caia um pouco no clichê dos excepcionais sempre afetuosos e sorridentes, o diretor acertou ao mostrar situações que realmente acontecem na vida deles: os pais da namorada (que também é Down) são contrários ao envolvimento dos dois, o fascínio por um cantor brega, o descaso da família.  >>

Elanor Ladeira
FONTE: http://forum.valinor.com.br/showthread.php?t=6943

 


<< Filme cativante, enfocando dois dramas pessoais, que, providencialmente, se cruzam nos caminhos da vida.
Harry (Daniel Auteuil, Melhor Ator Cannes 96) é um executivo dinâmico, que vive intensivamente sua profissão, quase sem tempo para dedicar-se à família. Esse conflito familiar chega ao ápice quando esquece de buscar suas filhas menores numa estação de trem. E, duramente rejeitado pela esposa e filhas, em face do episódio, começa a dirigir pelas estradas com profunda angústia e quase atropela o jovem Georges (Pascal Duquenne), portador da síndrome de Down. Este, sendo órfão e também rejeitado pela única irmã, havia fugido do Instituto, onde residia, e buscava na estrada um novo destino... A partir de então, surge uma amizade que irá marcar a vida de ambos.
O ator Duquenne, igualmente agraciado com o prêmio de Melhor Ator Cannes 96, tem um excelente desempenho, mostrando os traços fisionômicos e a típica personalidade alegre e vivaz dos mongolóides.
Em vários momentos difíceis da existência de Georges, o Espírito de sua mãe, desencarnada há quatro anos, aparece plenamente materializado e dialoga com ele, transmitindo-lhes boas orientações e muito carinho. Também, por duas vezes, ela traz consigo um artista, para cantar, alegrando seu filho. Certa vez, revoltado com a sua situação de interno de um Instituto, assim conversa com a genitora:
- Mãe, quero ir embora. Quero ir para casa.
- Sabe que é impossível, Georges. Sinto orgulho de você – abraçando-o e, em seguida, acariciando-o.
Em outro momento, caminhando à beira-mar, quando atinge um local de grande risco, vê sua genitora ao seu lado, que lhe pede:
- Cuidado! – e logo desaparece.
Num outro encontro, em sonho realmente vivido no Plano Espiritual, Georges informa à sua mãe que irá residir na casa do amigo Harry. E ela, provando que acompanha atentamente, do Além, os passos do filho querido, esclarece-lhe:
- Fico feliz (ao saber da amizade dele com Harry). Mas Harry ainda não está preparado. Tem outra vida. Você precisa enfrentar a realidade. Você é meu anjo.
E, em determinado momento, George estava desesperado, descontente com sua situação e desabafa com a sua mãe:
- Quero ir embora com você. Aqui não dá certo para mim – e ouve a resposta:
- Estou longe, meu filho. No Céu. Você foi a melhor coisa de minha vida. O maior dos presentes.
Assim, a atuação carinhosa e benéfica da mãe do jovem, vencendo as barreiras entre os Planos físicos e espiritual, constitui uma matéria relevante do filme.
E, com certeza, a figura do afetuoso, solidário e risonho Georges – “criado por Deus no oitavo dia”, segundo a seqüência de Criação elaborada por ele mesmo... – ficará na nossa memória para sempre.

Hércio M C Arantes - FONTE: http://www.uema.com.br/filmes/179 >>

 

<< (...) Os atores principais do "O OITAVO DIA" arrebataram a Palma de Ouro de Interpretação em Cannes (pela primeira vez atribuída a dois atores ao mesmo tempo), e seu argumento trata da negação da humanidade frente àquele que não é a nossa imagem. No filme, esse susto no espelho é representado por um portador da Síndrome de Down, um mongolienne, ou, se você quiser, um mongolóide.

Assista ao filme. Você vai rir e chorar, vai se chocar e se envergonhar e vai se interrogar sobre as razões do véu de silêncio que envolveu seu lançamento: quase nenhuma crítica, retirada rápida dos cinemas, nenhum comentário sobre o tema fundamental abordado - o narcisismo humano; possivelmente elas são, parcialmente, as suas próprias razões desse susto no espelho.

O filme, que percorre a trilha aberta por Forrest Gump e Rain Man, é uma obra de arte no uso das linguagens simbólicas. Seu roteiro, que em nenhum momento resvala para o patético, tem um modo todo francês de ser - fotografia limpa, atores competentes, argumento inteligente, direção delicada, significativa trilha sonora, ousadia na escolha dos recursos fílmicos.

Aborda, pela primeira vez no cinema, o mundo construído a partir do ponto de vista de alguém que é visto como limitado e rude pela cultura ocidental: o portador de deficiência mental. O encontro desse mundo com o mundo empresarial, representado por um alto executivo da área de recursos humanos, setor de vendas, coloca em choque todo o sistema de vida deste (e, portanto, de nossa escala de valores ocidental) e serve de ponto de partida para uma exposição de situações diversas decorrentes do fechamento psicológico ao insólito e a tentativa, tão ocidental, de formatação do ser humano.

Georges (interpretado por Pascal Duquenne, portador da S.Down na vida e no filme) nos apresenta seu mundo, seus desejos, sua sensibilidade, sua nítida percepção de que amedronta os que o cercam e seu amigo Harry (interpretado por Daniel Auteuil) secundados por Miou-Miou, constróem um corajoso filme, fundamental como o foram muitos dos dirigidos por Costa Gravas, sem a intelectualização destes. (...) >>


TEXTO: Maria Cecília Faria - doutoranda em Psicologia Clínica e pesquisadora
www.pucsp.br/clinica/publicacoes/boletins/boletim07_11.htm

 IMAGENS www.cineplayers.com

 

TRECHOS DO FILME:

http://br.youtube.com/watch?v=XigmsbnY4Uo

http://br.youtube.com/watch?v=eLIkZIWI5_g

http://br.youtube.com/watch?v=_jilPvV9ArU

http://br.youtube.com/watch?v=d_k_jS4QO6w

http://br.youtube.com/watch?v=fHoD8I7o9KY

http://br.youtube.com/watch?v=HIyjCAV2YJs

http://br.youtube.com/watch?v=fkFKEVfTyEM

http://br.youtube.com/watch?v=SviHjckrqzw

http://br.youtube.com/watch?v=cXz_TNZAVFk

 



C O N S U L T E > Outros filmes relacionados à inclusão

www.unisc.br/universidade/estrutura_administrativa/nucleos/naac/filmes_mo.htm

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