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VERA - ARTE BRASILIS

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Pombos-correio sempre encontram o caminho de volta para
casa, mesmo sob as mais adversas condições. Animais domésticos “sabem” quando seus donos estão voltando, sentando-se à porta para esperá-los. Uma pessoa “percebe” quando está sendo observada pelas costas; e quem teve alguma parte do corpo amputada chega a esquecer-se do fato, porque “sente” o membro no mesmo local.
Por mais que a ciência se esforce, o fato é que, até o momento, os cientistas ainda não encontraram respostas satisfatórias para explicar tais fenômenos. Talvez porque a maior parte dos pesquisadores ainda se apóie numa filosofia mecanicista da natureza, na qual o cosmo é tido como uma máquina, assim como tudo o que ele contém, inclusive o corpo humano. Apenas a mente consciente e racional do homem seria diferente, sendo espiritual em sua essência. Desse modo, tudo o que não pode ser explicado racionalmente ainda é visto como algo pouco sério e, portanto, não deve ser levado em consideração.
Mas até que ponto a própria ciência e a metodologia usada pelos cientistas não são questionáveis? Por exemplo: constantes físicas pretensamente imutáveis, como a velocidade da luz e a constante gravitacional universal, não estariam sujeitas a flutuações num universo caótico e constantemente em evolução? E até que ponto os cientistas, ao conduzir seus experimentos, não estariam influenciando os resultados com as próprias expectativas?
Tais questões são propostas pelo biólogo inglês e filósofo da natureza Rupert Sheldrake, em seu livro Sete Experimentos Que Podem Mudar o Mundo – Pode a Ciência Explicar o Inexplicável? (Editora Cultrix).
Sheldrake é conhecido pelas suas teses e teorias revolucionárias, que causam polêmica no meio científico por abalarem “verdades” já estabelecidas. Nessa obra, porém, ele vai mais além, ao colocar em xeque a certeza do conhecimento científico. “Tudo leva a crer que a ciência seja superiormente objetiva. Aliás, a crença na objetividade da ciência é artigo de fé para muitas pessoas no mundo moderno”, afirma. No entanto, na ânsia de comunicar e impor suas idéias e descobertas, muitos cientistas deixam de lado o que não deu certo, para revelar somente os melhores resultados (o uso seletivo de dados é o tipo mais comum de fraude e auto-engano). Nos campos da bioquímica e da biologia, apenas 5% a 20% dos dados empíricos são selecionados para publicação. “Quando a maioria esmagadora dos dados é descartada em processos particulares de seleção – às vezes 90% ou mais –, existe um campo vasto para as tendências pessoais e os preconceitos operarem consciente ou inconscientemente”, enfatiza Sheldrake.
Além disso, aceita-se como “científico” tudo aquilo que possa ser reproduzido em laboratório, em condições ideais semelhantes às do experimento original. Só que, na prática, raramente um experimento é reproduzido e reconfirmado por outros cientistas, preocupados com suas próprias descobertas e não em testar as dos seus colegas. Na verdade, os cientistas sentem a necessidade de preservar uma autoridade idealizada, não apenas por motivos pessoais e profissionais, mas também porque essa imagem é projetada neles pelos outros. Muita gente confia mais na ciência do que na religião e precisa acreditar em sua autoridade superior, objetiva. Assim, na medida em que a ciência substitui a religião, como fonte de verdade e valores, os cientistas se tornam uma espécie de sacerdotes. E, como sucede aos sacerdotes em geral, logo surge a expectativa pública de que eles vão viver segundo o que pregam: com objetividade, racionalidade e buscando a verdade.
Constantes variáveis – Mas, por mais que se esforcem, os cientistas nunca irão chegar à “busca da verdade” se partirem de princípios questionáveis. As constantes físicas, por exemplo, são números básicos usados por eles nos cálculos. Só que os valores dessas constantes – considerados fixos e imutáveis – dependem de medições em laboratórios. Sheldrake tenta provar que os valores das constantes físicas fundamentais mudaram ao longo das duas últimas décadas e que a natureza das mudanças pode ser investigada mais a fundo (...)
ARTIGO INTEGRAL EM: www.terra.com.br/planetanaweb/flash/reconectando/agrandeteia/xeque.htm
LIVROS TRADUZIDOS DE Rupert Sheldrake: http://www.sheldrake.org/books_tapes/portuguese.html
Na introdução DO LIVRO ele escreve:
Neste livro, proponho sete experimentos que poderiam transformar a nossa visão da realidade. Eles nos levarão muito além das fronteiras atuais da pesquisa. Poderão revelar, a respeito do mundo, bem mais do que a ciência tem imaginado. Qualquer deles, bem sucedido, exibirá panoramas novos e surpreendentes. Juntos, serão capazes de revolucionar a nossa compreensão da natureza e de nós mesmos.
O livro não trata apenas de um tipo mais aberto de ciência, mas também de um modo mais aberto de fazer ciência: mais público, mais participativo, menos monopolizado por um sacerdócio científico. Os experimentos propostos custam muito pouco; alguns praticamente nada. A pesquisa está aberta, em tese, a quem se interessar. (...)
LEIA TB: Os Campos Morfogenéticos de Rupert Sheldrake > http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=785