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Benditas Fomes
Frei Betto
24/07/2003
Benditas as mulheres famintas de amor, feitas de fios de renda, a tecer a vida na magia de pequenos gestos cotidianos: a cozinha limpa, o feijão catado, a cama arrumada e o vaso da janela regado de ternura. Elas conduzem a lua como um farol que, mês a mês, atrai seus corpos para rubros mares prenhes de vida.
Bendita a fome itinerante de homens ávidos de saber, curiosos quanto aos mistérios desse breve existir, e cujas mãos transmutam árvore em mesa, trigo em pão e leite em manteiga. Generosos, não precisam exibir espadas para provar que são guerreiros. Espalhada à sua volta, a sombra do aconchego aninha a família em segurança.
Benditos os que reverenciam o sol, a flor, a água e a terra, e trazem um coração ao ritmo das estações, confeiteiros de primaveras espirituais. Esses sabem encher suas taças de chuva e assar o pão no calor de amizades.
Benditos todos que se irmanam ao canto telúrico de Francisco e dançam ao ritmo alucinado dos girassóis de Van Gogh, impregnados da sabedoria búdica que não se algema à nostalgia do passado, nem se precipita na ansiedade do futuro. Eles saboreiam o presente como inestimável presente.
Benditas a manhã reinaugurando a vida após o sono; a idade esculpindo rugas carregadas de histórias; e a todos que, saciados de anos, não temem o convite irrecusável das bodas de sangue que, afinal, haverão de saciar a nossa fome de beleza.
Benditos os bem-aventurados na ânsia de ver repartido o pão da vida, sem encher a bolsa de sementes de podridão. Esses sentam-se à mesa com espírito solidário e têm direito à embriaguez do vinho que, transubstanciado, encharca o coração de alvíssaras.
Benditas as mãos que traduzem sentimentos e semeiam carícias, aplacando a fome de afeto. E os olhos repletos de luzes e as palavras floridas de beijos. E esse voraz apetite de silêncio, leve como o vôo de um pássaro.
Benditos a gula de Deus, os vulcões ativados nas entranhas, o arco-íris da pluralidade de idéias, a confraria das boas ações, os livros que nos lêem, os poemas ecoados no centro da alma, a rua deserta ao alvorecer, o bonde invisível, a vida sem medos.
Benditas a ira contra os pincéis que rasgam telas; a luxúria dos balés musicados por virtudes; a preguiça dos sinos de igrejas; a avareza de quem se guarda dos vícios; e a lenta maneira de fazer crescer plantas, cumplicidades e gente.
Benditas as fomes de transcendência, de prefigurações do eterno, de jovialidade do espírito, do bolo fatiado pelo cuidado materno, de vertigens místicas, de astros acelerados pela rotação de tantos sonhos redivivos.
Benditos os machados cientes de que seus cabos são feitos de árvore e as gaiolas abertas à liberdade; as agulhas que tecem o avesso da dessolidariedade e as facas de pontas arredondadas; a música de emoções indeléveis e os espelhos que refletem as mais saborosas oferendas da existência.
Benditas as fomes insaciáveis: de saber e de sabor; de despudor no amor; de Deus sob todos os nomes inomináveis. Fome de ócio sem culpa, de alegria interminável, de saúde e de prazer. Fome de paz. Saciada plenamente por justiça - a mais bendita das fomes, capaz de erradicar a fome maldita.
Frei Betto é coordenador, junto com Oded Grajew, da Mobilização Social do Programa Fome Zero e autor de "Por que nós, brasileiros, dizemos Não à guerra" (Planeta), coletânea enriquecida por Ana Maria Machado e Joel Birman, entre outros.
http://www.cdvhs.org.br
http://www.cdvhs.org.br/oktiva.net/1029/nota/449/
IMAGEM: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b4/Vincent_Willem_van_Gogh_128.jpg
LEIA MAIS SOBRE FREI BETTO AQUI NO ARTE BRASILIS:
http://artebrasilis.blog.terra.com.br/educar_para_que
http://artebrasilis.blog.terra.com.br/frei_betto_e_a_formacao_humanistica
C o n v i t e
Lya Luft
***
Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
http://www.releituras.com/lyaluft_menu.asp
imagem: http://i3.photobucket.com/albums/y66/Marota/conchas.jpg
LEIA POST RELACIONADO À AUTORA:
http://artebrasilis.blog.terra.com.br/as_perdas_e_ganhos_de_lya_luft
AMIGO VISITANTE,
NOTÍCIAS COMO ESTA SÃO GRATIFICANTES.
NÃO ESCONDO O AFETO POR ANIMAIS DE TODA ESPÉCIE, DESTACANDO A AMIZADE DOS CÃES, QUE ALÉM DE TUDO CUMPREM SUA "CIDADANIA", COMO DITA A MATÉRIA ABAIXO.
INICIATIVA ALTAMENTE RECOMENDÁVEL !
vera ~ arte brasilis
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Em boa companhia
24.08.2007 em http://vejasaopaulo.abril.com.br/materias/m0136962.html
ONG promove a participação de cães em atividades recreativas voltadas a idosos
Por Bruno Moreschi
Apesar do nome não denunciar, Paraná é um cão. Vira lata encontrado na frente de um supermercado com um ano de idade, é do tipo que se dá muito bem com gente. Esse jeito bonzinho acabou convencendo sua dona, Silvana Prado, a procurar no Google um serviço que já ouvira falar que existia nos Estados Unidos. Ela digitou “idosos”, “cães”, “voluntário” e encontrou o Portal Cão do Idoso. Hoje, Paraná trabalha em asilos da cidade, junto com cerca de 60 outros cães. Levados por seus donos, os bichos ajudam 500 idosos. Na aulas de fonoaudiologia do Lar de Idosos Vivência Feliz, no Planalto Paulista, a presença de Paraná é imprescindível. “Ele anima os participantes a falar”, conta a dona do cão, Silvana Prado.
A poodle Puppy é companhia inseparável de dona Ivone, na Associação Recanto da Vovó, em Cotia. É do tipo que pula no divã para ficar juntinho da amiga quando ela está em terapia. “Antes de ter a companhia da cadelinha, Ivone pouco falava nas sessões, agora se expressa muito melhor”, conta o presidente da ONG, Gerson Dotti.
Paraná e Puppy são colegas no projeto de voluntariado canino do Portal Cão do Idoso, que faz parte da ONG Organização Brasileira de Interação Homem-Animal Cão Coração, fundada em 2000 com o objetivo de desenvolver algo que já é comum na América do Norte: a terapia assistida por animais. Consiste em contar com a presença dos cães em atividades para idosos ou crianças, como ginástica, aulas de fonoaudiologia e psicoterapia. Fabiana Baroni, uma das veterinárias do projeto, explica que a raça mais adequada para esse tipo de trabalho é a golden retriever. Ela conta que, no mês passado, um deles fez com que um senhor de 70 anos falasse após anos em silêncio. “A cena confirmou que o trabalho não é em vão.”
Cães voluntários
Para participar do projeto Cão do Idoso, os bichinhos de estimação precisam ser sobretudo muito saudáveis. Confira as orientações:
• o cachorro deve ter entre 1 e 9 anos
• deve estar vacinado contra raiva, leptospirose e gripe canina
• não pode ter excesso de tártaro que, na lambida, facilita a transmissão de pneumonia, faringite ou laringite
• não pode ter otite, tipo comum de inflamação no ouvido que o torna muito sensível ao afago na região das orelhas
• não pode ter sarna nem micose
• deve ser dócil na presença de estranhos
• antes de cada visita o cão deve tomar banho
• a presença do dono é fundamental
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Para saber mais
>> visite: http://www.projetocao.org.br

LEIA TAMBÉM:
Pelo menos vinte cães "voluntários"
alegram pacientes em hospitais
http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2023/m0136813.html
VISITE O SITE, AJUDE, PARTICIPE: http://www.projetocao.org.br/
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