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AMIGO LEITOR, LENDO 'ARTHUR DA TÁVOLA' RECORDEI NOSTALGICAMENTE DE MINHA AVÓ MATERNA, QUERIDA PROFESSORA DE PIANO DOS ANOS SETENTA, EXTRAINDO SONS E ENCANTOS DO AMARELADO TECLADO DE SEU PIANO, SEU SUSTENTO. AS AULAS...AUDIÇÕES...MOVIMENTO DE ALUNOS NA SALA DE ESTAR DE SUA CASA...ALEGRIA E SUOR, MISTURADOS NO COTIDIANO. DEIXANDO SUA ALMA JOVEM E SEMBLANTE SERENO, EMBORA CANSADO...
NÃO FEZ DE MIM PIANISTA (RISOS), SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRES...NETOS DRIBLAM AVÓS, QUE CAEM NAS ARMADILHAS DO AFETO ( "-VÓ, FAZ PANQUECAS ? ...E LÁ SE IAM ESTUDOS E SOLFEJOS, TROCADOS PELAS INESQUECÍVEIS PANQUECAS COM AÇÚCAR E MANTEIGA..." - UM DIA REVELO A RECEITA, MAS O TEMPERO DO AMOR CABERÁ A CADA UM...)
OBSERVANDO-A, ADMIREI-A. HERDEI A METODOLOGIA DO AFETO E O AMOR INCONDICIONAL PELOS ALUNOS E PELO DESAFIO DO ENSINO. (AHH....DESAFIO ERA COM ELA!)
ENSINAR PELA NECESSIDADE E PELO DOM. HÁ QUEM DUVIDE DESTA DUPLA, QUE IMPULSIONA A ARTE E A VIDA.
SAUDOSA VÓ ALICE. A SAGA CONTINUA. MINHAS PANQUECAS NÃO SAEM LÁ, EXATAMENTE, COMO AS SUAS..."VOILÁ" !
HAVERÁ PROFESSORAS DE PIANO AINDA ?
ARTHUR DA TÁVOLA INDICA (NO TEXTO ABAIXO) QUE SÃO CADA VEZ MAIS RARAS...
VERA ~ARTE BRASILIS

A AGONIA DO PIANO - ARTHUR DA TÁVOLA
Antes era o cravo, clavicembalo, como diziam os europeus. Mas os músicos não tinham como tocar mais alto ou mais baixo pois o cravo mantinha uma sonoridade constante, além de metálica e fraca de intensidade . O artesanato musical foi, foi, foi e ali por volta de 1709 surgiu o primeiro piano como hoje o concebemos. Piano, aliás é uma expressão errada mas já se consagrou. Piano em italiano que dizer suave, baixo. Era o que acontecia com o cravo que soava abafado pelas incipientes orquestras da época. Quando se fez o novo instrumento ele passou a chamar-se piano e forte, ou pianoforte. Por que? Porque tocava tanto piano (baixinho) como forte. Até hoje os italianos o chamam de pianoforte. Nós é que simplificamos para piano.
Leio no jornal que a casa Milton, com mais de 70 anos no ramo de venda de pianos fechará suas portas. Já chegou a vender cerca de cem pianos por mês, agora não vende mais de três....
A agonia do piano começou a partir dos anos 60, com a introdução dos teclados eletrônicos. Mas durante mais de duzentos anos ele foi o instrumento mais importante do mundo. Primeiro, por ser completo, isto é sinfônico. Segundo, pela sonoridade belíssima. Terceiro, por amealhar um incomensurável catálogo de obras primas, verdadeiras maravilhas. Não vou ficar aqui citando Liszt, Chopin, Schumann, Beethoven, Schubert, Fauré, tanto, tantos outros. Isso sem falar nos grandes intérpretes que sobretudo o disco consagrou no século vinte.
Até a metade do século vinte não havia o que se chamava de “moça de família” sem o seu professor ou cursinho de piano. Fazia parte da boa educação. Mas o século vinte com a evolução tecnológica que a tudo invade, feriu de morte o piano. De morte, não, pois as obras estão aí e ele jamais desaparecerá da literatura musical. Apenas sairá, como já saiu, da moda há uns trinta anos e a gente levou um tempão para se dar conta disso.
É uma pena.
ESTA E OUTRAS CRÔNICAS ESTÃO ARMAZENADAS EM:
http://www.arturdatavola.com/Cronicas_2004_P_1.html#memoria
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MÚSICA....POESIA....LITERATURA...E MUITO MAIS EM:
A Casa de Cultura Artur da Távola >>>> http://www.arturdatavola.com
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Rádio Cultura FM - SP -Música Clássica com Artur da Távola.
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ARQUIVOS DO SITE: SETE DÉCADAS DA MELHOR MÚSICA BRASILEIRA.
(É só escolher e clicar em cima do nome da música)
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...RECEITA DE PANQUECA....não é a da minha vó....invente a sua !!!!
http://www.terra.com.br/culinaria/lcintra2/sob_19.htm
IMAGEM piano http://www.almalusitana.com/images/piano_keys.jpg

Quarto de Badulaques XXXVIII - Rubem Alves
Sociedades se constroem quando os homens concordam sobre coisas grandes. A amizade acontece quando os homens concordam sobre coisas pequenas. Faz tempo escrevi um artigo longo sobre um tema que esqueci. O dito artigo provocou, num dos meus leitores do sul de Minas, um carta. Escreveu-me não para comentar o artigo – irrelevante – mas para dizer que ficara comovido porque, num certo lugar, eu falara sobre “o cheiro bom do capim gordura”.
A partir dessa imagem a um tempo visual e nasal - pois havia a visão do campo de capim gordura e o cheiro do capim gordura - ele se pôs a descrever sua experiência diária: passava, de manhãzinha, sol ainda não nascido, por um campo coberto de capim gordura. “ O silêncio verde dos campos...” E havia a névoa misteriosa que tudo envolvia. De vez em quando, o barulhinho de algum regato que corria invisível, coberto pela vegetação.. E, saindo dele, como se fosse sua respiração, seu mais profundo segredo, o perfume. Mistério.
Mistério, essa palavra misteriosa. Em inglês a palavra mistério se escreve “mystery”. Pois um dia, por inspiração imediata, passei a escrevê-la de uma forma diferente: misteerie. “Mist” é neblina. “eerie” quer dizer assombroso, que provoca medo. Acho que minha grafia, inspirada na poesia, é melhor que a grafia do dicionário, derivada da etimologia. Essa é a minha contribuição para a língua inglesa. É isso que se sente de manhãzinha, sozinho, ao caminhar pelos campos de capim gordura. Não há igreja, templo ou santuário que se lhe compare. Essas caixas de tijolo e cimento que os empresários da religião constroem para engaiolar o sagrado, na maior parte das vezes provocam-me o sentimento oposto, de horror estético. Deus deve ter muito mau gosto...
Pois é: quando li aquela carta imediatamente me descobri amigo daquele homem distante. Se não me equivoco o seu nome era Gerson, e vive em Poços de Caldas. Sempre que vejo capim gordura me lembro dele. De todo o palavrório que escrevi naquele artigo, o que sobrou, o que valeu, foi uma imagem imobilizada num momento eterno: o capim gordura, com o seu cheiro bom... (Desgraça: os criadores de gado, para terem mais lucro, acabaram com o capim gordura e o substituíram por uma praga africana chamada braquiária, que é um câncer nos pastos que nem a quimioterapia mais violenta pode com ele... ).
Como aconteceu com o Pequeno Príncipe e a raposa. O Pequeno Príncipe, contra vontade, cativara a raposa, a pedido dela. Mas chegou a hora da despedida e a raposa disse: “Vou chorar”. O Pequeno Príncipe retrucou: “ Não é culpa minha. Eu não queria te cativar. Agora você vai chorar. Qual foi a vantagem?” Respondeu a raposa: “A vantagem? Os campos de trigo. Eu sou uma raposa. Como galinhas. O trigo me é indiferente. Mas você me cativou. Seu cabelo é louro. Os campos de trigo são dourados. Porque você me cativou sempre que o vento balançar as espigas douradas de trigo eu me lembrarei de você. E sorrirei...”
É isso que é um sacramento: uma imagem carregada de emoções. O sacramentos são símbolos que têm o poder de invocar ausências. Poesia é isso: imagens carregadas de emoções... Quem não tem poesia é pobre nas emoções. E, necessariamente, pobre no amor. Escrevi uma crônica em elogio à calvície. Eu nunca imaginei que uma calva fosse um objeto poético. Nunca li poema algum sobre a calvície... Só se fosse um poema cômico, de fazer rir. Foi isso que aconteceu com a coleguinha da minha neta que caiu na risada ao ver-me careca, numa foto?.
Pois o Artur da Távola me enviou um e-mail... Já escrevi sobre ele várias vezes. Ele apresenta o programa “Quem tem medo de música clássica?” na TV Senado e não se cansa de repetir: “Música é vida interior. E quem tem vida interior nunca está sozinho.” Emociona-me seu amor pelas crianças. Está sempre pedindo aos pais que chamem os seus filhos para ver e ouvir música clássica. Uma amiga, separada, segredou a outra amiga que nunca mais se casaria, a não ser que fosse com o Artur da Távola...
Ele me enviou um e-mail a propósito da minha crônica e fez uma confissão que me comoveu. Achei tão humana a sua confissão que lhe pedi licença para transcrevê-la. “Quando eu era criança, anos 40, não estava em moda usar barba. Meu pai, exceção, mantinha uma, a nazareno, como se chamava então. Tímido que sempre fui, morria de encabulamento. Uma tarde ele é que foi buscar-me no colégio. A garotada riu daquele homem de barba e eu, assustado, disse que era meu avô. Minha mãe, à noite achou a desculpa criativa. Mas meu pai ficou triste por rirem dele e por me haver causado o envergonhar-me. Até hoje essa mentirinha me persegue. Ele morreu quando eu tinha onze anos e nunca pude excusar-me com ele. Aceite o abraço de outro vasto careca e parabéns pela defesa.”
Parece que isso é algo universal. As crianças têm medo que os outros riam dos seus pais e, consequentemente, riam deles. Todas as crianças querem ter pais bonitos e admirados. Lembro-me de que quando vivi nos Estados Unidos o diretor da “Cathedral School”, onde meus filhos pequenos estudavam, convidou-me a falar para as crianças. Aceitei. Anunciou-se minha ida. Aí notei que o Sérgio e o Marcos começaram a ter um comportamento incomum, cheios de conversinhas pelos cantos. Até que eu os encantoei e pedi explicações. Aí eles me disseram, meio encabulados: “Please, Daddy, don’t say anything which will embarrass us...” que, traduzido livremente em linguagem de hoje seria, “Papai, não nos faça pagar mico...”
Quem suspeitaria que o cheiro bom do capim gordura pudesse ser um sacramento de amizade? Quem suspeitaria que uma careca poderia ser um tema poético, início de uma amizade? Gostava do Artur da Távola pela música. Gostava pelo amor às crianças. Agora gosto mais, porque a careca nos faz entrar em devaneios. Como disse, a amizade cresce a partir de coisas pequenas. Quem suspeitaria que das carecas pudesse surgir a amizade? Garanto, Artur, que o seu pai ficou feliz por sua revelação afetuosa. Não precisa mais sentir-se perseguido pela mentirinha...
(SOBRE AFORISMOS...) Nietzsche tinha paixão por eles:” Quem quer que escreva com sangue e aforismos não deseja ser lido mas ser sabido de cor. Nas montanhas o caminho mais curto é de pico a pico: mas, para isso, é preciso ter pernas longas. Aforismos deveriam ser picos – e aqueles a quem são dirigidos também deveriam ser altos e elevados.
O ar é puro, o perigo está próximo e o espírito está cheio de um sarcasmo jovial: esses dois vão bem, juntos...” Aforismos são relâmpagos: caem do céu com um estampido e racham pedras. Suas origens são irrelevantes. Dispensam razões. Se riem dos que tentam explicá-los. Valem por eles mesmos, como se fosse estrelas. “Um bom aforismo não é consumido pelos milênios, muito embora ele seja alimento a cada momento: esse é o grande paradoxo da literatura, o permanente no meio das mudanças, a comida que permanece sempre gostosa, como sal, ela não perde o sabor... “
(...)
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VALE A PENA RELER RUBEM ALVES AQUI, NO ARTE BRASILIS:
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O PEQUENO PRÍNCIPE http://artebrasilis.blog.terra.com.br/o_pequeno_principe
SABER MAIS SOBRE O CAPIM GORDURA ?
http://www.agronomia.com.br/conteudo/artigos/artigos_gramineas_tropicais_melines.htm