Arte Brasilis

ARTE BRASILIS é uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA e EDUCAÇÃO. Textos e referências para amigos, educadores, interessados em Cultura Brasileira e Educação para a Paz. artebrasilis@hotmail.com (MSN) artebrasilis@bol.com.br

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Terra Blog

Categoria: EDUCAÇÃO AMBIENTAL

19.09.07

BRASIL NO RANKING

 

DIA QUENTE E SECO EM SAMPA E CONSEQUENTE POLUIÇÃO + OLHOS ARDENDO...

 


 

(Vista aérea que mostra a camada de poluição sobre a cidade de São Paulo)

FONTE NOTÍCIA: http://br.noticias.yahoo.com/s/19092007/25/manchetes-brasil-5-pais-reduziu-cfc.html (Qua, 19 Set)

IMAGEM: http://br.noticias.yahoo.com/foto/19092007/61/foto/vista-aerea-mostra-camada-polui-cidade-sao-paulo-nesta-manha.html


Brasil é o 5º país que mais reduziu uso de CFC

O Brasil é o quinto país no mundo que mais reduziu o uso do clorofluorcarbono (CFC), o gás que mais destrói a camada de ozônio. Entre 1995 e 2005, deixou de lançar na atmosfera 9,9 mil toneladas de CFC, segundo um estudo divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ficou atrás apenas de China (62,1 mil toneladas), EUA (34 mil), Japão (23 mil) e Rússia (20,6 mil).

A redução gradual do CFC, até a eliminação, foi determinada pelo Protocolo de Montreal. Ao longo desta semana, exatamente 20 anos depois da assinatura do mais bem-sucedido acordo internacional em favor do meio ambiente, perto de 200 países, incluindo o Brasil, estão reunidos novamente no Canadá para discutir novas maneiras de proteger a camada de ozônio.

A camada de ozônio é uma espécie de membrana que protege a Terra contra os raios solares ultravioleta, que provocam câncer de pele e catarata. O CFC, até pouco tempo atrás presente em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e sprays, está controlado. Segundo o Protocolo de Montreal, chegará ao fim em 2010.

O Brasil se antecipou às metas acordadas. As geladeiras com "tecnologia suja" deixaram de ser produzidas em 1999. No início deste ano, ficou proibida a importação do CFC. O gás que continua nas geladeiras antigas deve ser reciclado. Técnicos em refrigeração estão sendo treinados para isso. O Brasil receberá nesta semana, das Nações Unidas, um prêmio pelos esforços.

O gás foi substituído pelo hidroclorofluorcarbono (HCFC), que é o atual vilão da camada de ozônio, apesar de seu poder de destruição ser muitíssimo menor que o do antecessor. O HCFC preocupa mais por ser um gás do efeito estufa - ajuda no aquecimento da Terra. Pelo Protocolo de Montreal, deverá estar abolido em 2040. Os países reunidos no Canadá buscam formas de acelerar o fim do HCFC. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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  • Postado em 18:53:25

04.09.07

A SOMBRA DO ABACATEIRO

"A escola formal não leva em conta a importância do contato com a Natureza para o aproveitamento e integração do ensino, atenção e qualidade de vida do aluno. (...)

A primeira coisa a ser feita com as crianças na escola, pela manhã, deveria ser alguma atividade ao ar livre para a assimilação dos beneficios do sol matinal . Essas atividades poderiam ser muitas: jogos, meditação, plantio, rodas, danças e escuta musical. Segundo pesquisas, isso ajudaria muito na melhoria da assimilação de tudo o que será vivenciado na sala de aula. (...)

Escolas chinesas costumam ter essa prática.

Cecilia Borelli - artista plástica e ecopedagoga."

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CECÍLIA BORELLI NÃO SÓ FALA COMO VIVENCIA TAIS PALAVRAS.

TEMOS UM PROJETO EM ANDAMENTO, NO CAMPO PROFISSIONAL, EM QUE UNIMOS IDEAIS DE PRESERVAÇÃO E CONSCIÊNCIA VERDE.

TRATA-SE DE UM GRANDE E BELO ESPAÇO INSERIDO EM TERRITÓRIO URBANO. OÁSIS DE HARMONIA, CUIDADO COLETIVAMENTE POR ALUNOS, VOLUNTÁRIOS, PAIS E PROFESSORES, NUM CENTRO DE REABILITAÇÃO.

CECÍLIA TEM COLABORADO MUITO COM SUA SENSIBILIDADE CRIATIVA.

RECORDO MOMENTOS MÁGICOS EM QUE REALIZAMOS REUNIÕES À SOMBRA DE UM ABACATEIRO. NA OCASIÃO COMEMORAMOS O DIA DAS MÃES, SENDO QUE CECÍLIA PROPÔS PARA AS MÃES -E PAIS- UMA DINÂMICA DE FORTE ENVOLVIMENTO AFETIVO. TODOS DISSERAM O PRÓPRIO NOME, SEGUIDO DO NOME DE UM ANTEPASSADO (MÃE DA MÃE OU PAI...) E DO NOME DE UMA ÁRVORE QUE REPRESENTASSE ESTA TRILOGIA.

BELÍSSIMO MOMENTO DE EMOÇÃO, CONTANDO A SUCINTA HISTÓRIA DE CADA UM, NO TEMPO PRESENTE, PASSADO E FUTURO, COM A FORÇA DOS ELEMENTOS DA NATUREZA....VEMOS AÍ, TAMBÉM,  A IDENTIFICAÇÃO COM ÁRVORES, FRUTOS, FLORES, ÁGUA, TERRA, AR...ENERGIA INCONSCIENTE E PRECISA. "

"CONHECEMOS PESSOAS QUE SÃO COMO GIRASSÓIS DE ENERGIA ABUNDANTE. SUA FORÇA PESSOAL ESTÁ NA IMAGEM, NA PALAVRA, NA FIGURA ABSORVENTE, ATRATIVA DO CALOR, PELAS EMOÇÕES QUE EMANAM E REFLETEM. "

                

ESTA ÁRVORE, O ABACATEIRO, TAMBÉM POSSUI UMA ENERGIA ESPECIAL EM GRANDEZA E ACOLHIMENTO, FORMANDO ANFITEATRO NATURAL COM BRAÇOS ABERTOS. SEU TRONCO ESTÁ EXATAMENTE INCRUSTRADO NUM MURO QUE DIVIDE DOIS LOTES. GENEROSA E IMPONENTE, FORNECE FRUTOS PARA AMBOS OS LADOS. A SENSIBILIDADE DE QUEM PERMITIU SUA PERMANÊNCIA ALI, É RETRIBUÍDA COM SOMBRA, PÁSSAROS E ABACATES.

SIM, OS PÁSSAROS CHEGAM, E SÃO MUITOS. VISITAM-NOS DIARIAMENTE, EM RAZÃO DA ABUNDÂNCIA DE ALIMENTO CAÍDO AO CHÃO (OS ABACATES). SABIÁS, BEM-TE-VIS, PARDAIS, JOÕES-DE-BARRO...CADA ESPÉCIE TEM SUAS FACETAS. ESTE ÚLTIMO É O MAIS DESTEMIDO, APROXIMANDO-SE QUANDO ESTAMOS LIDANDO NO JARDIM OU DISPUTANDO A COLETA DOS FRUTOS MADUROS. SABEM DO BEM ESTAR DE SUA PRESENÇA. NO JARDIM,  RECANTO DE DIVERSAS ESPÉCIES FLORAIS,  MESCLAM-SE TORAS DE MADEIRA, FORMANDO BANCOS RÚSTICOS. UM CONVITE À MEDITAÇÃO.

A QUERIDA AMIGA CECÍLIA FORNECEU AO JARDIM UM DELICADO SINO DE VENTO, FEITO DE BAMBUS. DIFÍCIL DESCREVER A PAZ QUE O SEU SOM TRANSMITE, ESPECIALMENTE NA BRISA MATINAL, REPLETA DE OXIGÊNIO E FRESCOR. SONS QUE AQUECEM A ALMA, AQUIETAM O VISITANTE, CHEGANDO ATÔNITO DOS FAMOSOS ENGARRAFAMENTOS DA CIDADE. É LOCAL TAMBÉM PARA QUE NOSSOS JOVENS, EM DIAS MAIS AGITADOS, SE ACALMEM E RESTABELEÇAM A TRANQUILIDADE INTERIOR. O ESPAÇO REVITALIZA E CURA. DISSIPA AS TENSÕES, SOB INDISCUTÍVEL TRANSFORMAÇÃO INTERIOR.

PALCO DE AULAS AO AR LIVRE, COMO SUGERE A AMIGA.

A CIDADE DE SÃO PAULO É DESAFIO TRANSFORMADO EM DESCOBERTAS. O PAULISTANO APRESSADO DEVE APURAR SUA ANTENA PARA PERCEBER, DIARIAMENTE, A VIDA QUE PULSA EM CADA PRAÇA OU  ÁRVORE. NO PÁSSARO, QUE IGUALMENTE TRABALHA PELA SOBREVIVÊNCIA.

NAS ÁRVORES, EXEMPLOS DE RESISTÊNCIA, PERSEVERANDO AO MONÓXIDO E FIOS ELÉTRICOS, AOS ALAGAMENTOS E À INSENSIBILIDADE QUE PERMANECE EM ALGUNS...  

VIVER EM SÃO PAULO É AMAR CADA VEZ MAIS ESTE PARADOXAL  RECANTO....RICO MEIO DE AMADURECIMENTO, TREINO PARA O FORTALECIMENTO DOS PASSOS. INSPIRA MISSÃO DE PRESERVAR E ATUAR ONDE HÁ MAIS NECESSIDADES...AS TAREFAS SÃO INFINITAS,  NUMA CIDADE QUE NUNCA DORME. SÃO PAULO É CORPO DE VEIAS ENTUPIDAS E ARTÉRIAS INFLAMADAS. MAS O SANGUE DO PAULISTANO QUE CIRCULA É VIVO E BOM. CADA CIDADÃO ESCREVE NESTE CHÃO SEU PRÓPRIO NOME, E DE SEUS ANTEPASSADOS. CADA MENTE CARREGA EM SI A FORÇA NECESSÁRIA DOS ELEMENTOS NATURAIS. EMBORA MODESTAMENTE OU ABUNDANTEMENTE PRESENTES, ESTÃO NA ÁGUA QUE PINGA OU INUNDA, NO FOGO QUE ARDE OU AQUECE, NOS ARES QUE REFRESCAM OU POLUEM, NA TERRA DE CIMENTO, OU NA QUE SE ABRE EM JARDINS. TERRA DE MEGA- DÚVIDAS OU MEGA-CERTEZAS !

 

CURIOSIDADE DA NATUREZA !


O canto do Pássaro Lira


Existem duas espécies de Pássaro Lira (Menura novaehollandiae e Menura alberti) e ambas são encontradas na Autrália.
A peculiaridade é o canto desta ave.
O Pássaro Lira tenta emitir sons complexos para impressionar a fêmea. Para aperfeiçoar a riqueza de detalhes sonoros a ave acaba copiando cantos de outros pássaros; e até mesmo sons de câmeras fotográficas, alarmes de carro e motosserras.
As imitações do Lira são tão boas que enganam pássaros de outras espécies.



                  

CLIQUE PARA VER O VÍDEO: http://br.youtube.com/watch?v=3-CcszePdJk

IMAGEM GIRASSOL http://www.creds.com.br/wallpapers/wall_girassol_1024.jpg

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  • Postado em 17:36:12

11.08.07

CONHEÇA FRANS KRAJCBERG

A DICA É DE CECÍLIA BORELLI (ARTISTA PLÁSTICA E EDUCADORA):

O Banco Real (Avenida Paulista-São Paulo-Capital) promove até dia 31-8, a exposição de Frans Krajcberg - Arte e Natureza. "Este artista de 85 anos dedica sua vida a mostrar e defender a Natureza através de sua arte magnífica", diz Cecília.

 


" A Natureza sempre me deu força, devolveu-me o prazer de sentir, de pensar e trabalhar. Quando estou na Natureza eu penso a Verdade, eu faço a Verdade e eu me exijo Verdadeiro" - Krajcberg.

 

http://www.ufmg.br/online/arquivos/Bol%201533%20capa.jpg


Frans Krajcberg nasceu em Kozienice (Polônia), no ano de 1921.

Combatente do Exército Soviético durante a 2ª Guerra Mundial, viveu algum tempo na Alemanha depois do conflito, tendo estudado entre 1945 e 1947 na Academia de Belas Artes de Stuttgart como aluno do célebre Willy Baumeister.

Emigrando em 1948 para o Brasil, fixou-se inicialmente em São Paulo, exercendo nessa cidade humildes ofícios, como os de pedreiro e faxineiro, antes de se tornar ajudante de montagem da I Bienal de São Paulo, em 1951.

Reflexos da guerra

Nesses primeiros anos da permanência no Brasil praticava uma pintura influenciada pelo Cubismo e pelo Expressionismo, estribada num desenho sintético e numa paleta baixa, na qual predominavam cinzas e terras.

Suas figuras e naturezas-mortas davam prova de um despojamento vizinho da pobreza, característica explicável, talvez, pela dura realidade do imediato pós-guerra.

Até 1952 Krajcberg permaneceu em São Paulo, efetuando nesse último ano sua primeira individual, no Museu de Arte Moderna.

Florestas e árvores

Mudando-se logo em seguida para o interior do Paraná, onde viveria até 1956, Krajcberg afastou-se do circuito das artes, perdendo o convívio com os artistas mais atuantes.

Se esse era um fator contra, havia, porém, outro a seu favor: o contato com a natureza retemperou sua visão e afinou seus instrumentos de trabalho.

Desse mergulho prolongado no hinterland paranaense, surgiram-lhe em 1956 e 1957 as séries Florestas e Arvores, ainda tão medularmente expressionistas.

Relendo a paisagem

Já aqui, contudo, não se está diante da produção de um artista que busca representar a natureza, mas sim de alguém que parte da observação da natureza para superá-la, para interpretá-la em termos unicamente pictóricos.

Conquistando em 1957 o prêmio de Melhor Pintor Nacional na 4ª Bienal de São Paulo, transfere-se para o Rio de Janeiro, residindo nessa cidade até 1958, quando passa a alternar sua vida entre Paris e Ibiza, nas Baleares, com constantes retornos para reciclagem ao Brasil (Rio de Janeiro, Minas Gerais e, posteriormente, Bahia).

Atraído pela escultura

Tivesse permanecido nos puros limites da pintura, ainda assim Krajcberg seria mesmo assim nome de extraordinária importância no cenário artístico nacional, um dos expoentes do Expressionismo Abstrato.

A estrutura bidimensional da pintura, entretanto, limitava seus horizontes e, a partir de uma primeira experiência em 1962, com as terras naturais de Ibiza, o artista sentiria a crescente necessidade de ampliar seus horizontes.

A intenção primeira era abandonar o bidimensionalismo do plano pictórico, substituindo-o pelo tridimensionalismo do relevo ou da escultura.

A partir daí, foi,aos poucos, reformulando a própria idéia de representação ou de interpretação da Natureza, pela sua apropriação.

Alcançando a maturidade

Numa de suas vindas ao Brasil, em 1964 - logo após ter conquistado na 32ª Bienal de Veneza o Prêmio Cidade de Veneza -, Krajcberg visitou Itabirito, efetuando então aquele que seria o passo decisivo de sua carreira artística.

A partir desse instante pode-se dizer ter atingido Krajcberg sua maturidade como artista, produzindo admiráveis gravuras em relevo e esculturas pintadas, nas quais utiliza pedras, árvores, raízes e os mais diferentes materiais de origem mineral e vegetal.

«A minha preocupação - diz ele - é penetrar mais a natureza. Há artistas que se aproximam da máquina, eu quero a natureza, quero dominar a natureza. Criar com a natureza, assim como outros estão querendo criar com a mecânica.

«Não procuro a paisagem mas o material. Não copio a natureza. Sinto que hoje a gente foge cada vez mais da natureza. Estamos cada dia mais afastados dela por causa da mecanização.»

A cidade e o campo

Krajcberg, que desde 1973 mantém um ateliê permanente em Nova Viçosa, no litoral sul da Bahia, é sem sombra de dúvida, dentre os artistas brasileiros contemporâneos, um dos raros que trouxeram uma contribuição pessoal ao desenvolvimento da arte contemporânea.

Suas exposições têm sido numerosíssimas, em cidades como Paris, Oslo, Milão, Jerusalém, Roma, Ibiza etc., destacando-se a série que realizou em 1975, primeiro em Paris, no Centre National d'Art Contemporain, e em seguida em diversos museus provinciais de França.

Mas, embora acostumado ao ambiente das grandes cidades, Krajcberg parece dar preferência à vida simples interiorana, e assim é que, em suas freqüentes temporadas no Brasil, tem efetuado viagens com longas permanências na Amazônia (1974, 1978, 1980) ou no pantanal matogrossense (1984-85).

Naturalismo integral

Da permanência amazônica entre junho e setembro de 1978, em companhia do pintor Sepp Baendereck e do crítico de arte francês Pierre Restany, surgiria o Manifesto do Rio Negro - Naturalismo Integral, revelador de um novo conceito de Naturalismo.

O manifesto parte da da constatação de que "no espaço-tempo da vida de um homem, a Natureza é a medida de sua consciência e de sua sensibilidade", para chegar à certeza de que "a natureza original deve ser exaltada como uma higiene da percepção, e um oxigênio mental: um naturalismo integral, gigantesco catalisador e acelerador das nossas faculdades de sentir, pensar e agir".

Fonte: CD-Rom 500 Anos da Pintura Brasileira.
http://www.pitoresco.com.br/brasil/krajcberg/krajcberg.htm

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23.07.07

CARTA DO CHEFE SEATTLE. ILUSTRAÇÃO

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CARTA DO CHEFE SEATTLE

Em 1854, o Governo dos Estados Unidos tentava convencer o chefe indígena Seattle a vender suas terras. Como resposta, o chefe enviou uma carta ao presidente que se tornou famosa em todo o mundo. Seu conteúdo merece uma reflexão atenta pois é uma lição que deve ser cultivada por todos, por esta e pelas futuras gerações. Este documento - dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio ambiente - vem sendo intensamente divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas).

 

“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós.
Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los?
Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.

Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoa
nas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo,
é sagrado na memória e na experiência de meu povo.

A energia que flui pelas árvores traz consigo a memória
e a experiência do meu povo.
A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias
do homem vermelho.

Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando
vão caminhar entre as estrelas.
Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra,
pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da Terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo,
a grande águia, estes são nossos irmãos.
Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei,
e o homem, todos pertencem à mesma família.

Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que

quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós.
O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugar
onde poderemos viver confortavelmente.
Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos.
Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra.
Mas não vai ser fácil.
Pois esta terra é sagrada para nós.

A água brilhante que se move nos riachos e rios não é
simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais.
Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que
ela é o sangue sagrado de nossos ancestrais.
Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que
ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada
e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas
da vida de meu povo.
O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.

Os rios nossos irmãos saciam nossa sede.
Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças.
Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de
ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês,
e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo
carinho que têm para com seus irmãos.
Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras.
Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho
que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa.
A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele o vence,
segue em frente.
Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa.
Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa.

O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos
são esquecidos.
Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como
coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes.
Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto.
Não sei.
Nossas maneiras são diferentes das suas.
A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho.
Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende.

Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco.
Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou
o ruído das asas de um inseto.
Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo.
A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos.
E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitário
de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa.
Sou um homem vermelho e não entendo.

O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e
o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou
perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas
compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem,
todos compartilham o mesmo hálito.
O homem branco parece não perceber o ar que respira.
Como um moribundo há dias esperando a morte,
ele é insensível ao mau cheiro.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar
é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos
com toda a vida que ele sustenta.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada,
como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o vento
que é adoçado pelas flores da campina.

Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra.
Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco
deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e não entendo de outra forma.
Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo
homem branco que os matou da janela de um trem que passava.

Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fuma
pode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamos
para ficarmos vivos.

O que é o homem sem os animais?
Se todos os animais acabassem, o homem morreria
de uma grande solidão do espírito.
Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem.
Todas as coisas estão ligadas.

Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés
é as cinzas de nossos avós.
Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra
é rica com as vidas de nossos parentes.
Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos,
que a Terra é nossa mãe.
Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra.
Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.

Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem –
o homem pertence à Terra.
Isto nós sabemos.
Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família.
Todas as coisas estão ligadas.

Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra.
O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela.
O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de
amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum.

Podemos ser irmãos, afinal de contas.
Veremos.
De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um dia
descobrir – nosso Deus é o mesmo Deus.
Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam
possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo.
Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para com
o homem vermelho quanto para com o branco.
A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo
por seu criador.
Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos.

Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade,
queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e para algum
propósito especial lhes deu domínio sobre esta terra
e sobre o homem vermelho.
Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando os
búfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantos
secretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista
das montanhas maduras manchadas por fios que falam.

Onde está o bosque?
Acabou.
Onde está a águia?
Acabou.
O fim dos vivos e o começo da sobrevivência.”


FONTE: http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3981&ReturnCatID=1773

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